Oscar 2013 – Os Miseráveis (Les Misérables)

Les-Miserables-PosterIndicações (#6):

Melhor Filme
Melhor Ator (Hugh Jackman)
Melhor Atriz Coadjuvante (Anne Hathaway)
Canção Original
Mixagem de Som
Figurino
Design de Produção
Maquiagem e Cabelo

Todo mundo conhece, pelo menos por cima, a história de “Os Miseráveis“. Um fugitivo – Jean Valjean -, um inspetor obcecado – Javert -, uma mulher pobre e sem família – Fantine – a não ser a filha pequena – Cosette -, que mora com um casal de índole no mínimo duvidosa. O enredo gira em torno desses personagens mas tem como tem principal a miséria, a pobreza, as injustiças e a escuridão do século XIX na França.

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(Apesar de muita gente achar – e sem culpa nesse caso, é quase um falso cognato literato-histórico -, Os Miseráveis não fala da Revolução Francesa em si e sim do período entre A Batalha de Waterloo, 1815, e os motins de 1832. Época que em que a população vivia na lama, como é retratado em uma cena marcante e bela do filme. )

O clássico de Victor Hugo (um cara bom!) já teve algumas adaptações para o cinema. A mais famosa delas, talvez, seja a de 1998, que tem Liam Neeson, Geoffrey Rush, Uma Thurman e Claire Danes no elenco. Se você já teve a oportunidade de ver o filme, sabe que esse não é musical, mas é bem parecido com esse de 2012.

Pois bem, esse é um ponto muito importante na mais recente adaptação de Les Misérables. O filme dirigido por Tom Hooper (“O Discurso do Rei“) é inteiramente musical – e quando eu digo isso, quero dizer que não existe uma fala sequer que não seja cantada. Posto isso, tenho dois comentários a fazer: 1 – eu não sou muito fã de musicais / 2 – eu realmente acho que musicais ficam extraordinariamente melhores no teatro.

Les Misérables é um musical da Broadway versão cinema. É, portanto, a adaptação de uma adaptação. Isso não tira os méritos do filme, que, aliás, tem muitos. Embora não tenha sido indicado, um desses pontos bons do filme é a fotografia expressiva, sempre baseada em tons sombrios e cores intensas, e fazendo uso da escuridão de maneira bem interessante. As músicas não são novidade, exceto Suddenly, que concorre a melhor canção original (e que, acredito eu, não vá ganhar de Skyfall).

Eu não entendo bulhufas de mixagem de som, apesar de ter feito uma matéria na faculdade que chamava “música de cinema”. Apesar disso, acredito que tenha boas chances. Afinal, é um musical, oras! Na realidade, o que eu acho é que todos os indicados são meio parecidos nesse quesito, o que mostra minha ignorância no assunto.

Os Miseráveis tem mais de duas horas e meia de músicas e diálogos cantados, o que pode, eventualmente, se tornar um pouco entediante para quem não é fã de musicais. Peguemos o moço que estava ao meu lado no cinema, por exemplo. Ele mudou de posição aproximadamente 853 vezes durante o filme, escorregou e se afundou na cadeira, cochilou de quando em vez mas também teve seus momentos de pura atenção.

Percebi que teve uma parte do público da sala que gostou muito. E eu, sinceramente, também gostei. Embora pudesse tirar uma meia hora de filme (como também o faria com Lincoln, Django e companhia). Gostaria mais do musical da Broadway original. Acho que também poderia vir a gostar mais do filme caso ele não fosse musicado. Mas é um bom filme. Não o melhor entre os indicados, mas um bom filme, com atuações excelentes.

Hugh Jackman (foi um choque absoluto quando o reconheci) está muito bem como o protagonista Jean Valjean e merece a indicação ao Oscar, embora provavelmente não tenha chances perto do quase unânime Daniel Day Lewis. Anne Hathaway continua mostrando que é corajosa e forte na tela.

Como Fantine, ela topou ficar careca por alguns poucos minutos de aparição. A decisão foi acertada e lhe rendeu também a indicação a melhor atriz coadjuvante. Um dos melhores momentos do filme vem de uma longa sequência em que ela canta On my Own com uma dor genuína. Russell Crowe, por outro lado, não está tão à vontade. Ele, que sempre me agrada, parece realmente desconfortável com algumas tomadas. Quando precisa interpretar, não decepciona. Mas achei que ficou meio dividido entre cantar e atuar e não esteve no seu nível habitual.

Amanda Seyfried faz uma mocinha tão cândida quanto a mais pura das donzelas, quase uma princesa da Disney cantando com os animaizinhos na floresta. Éponine, intepretada por Samantha Barks, já é mais expressiva e interessante como personagem. Mas surpreenda-se, caro colega… o alívio mais natural surge da interpretação do casal Thérnadier, ninguém menos que Helena Bonham Carter (Bellatix!) e Sacha Baron Cohen (Borat!). Os estranhos donos da pensão são sujos e divertidos, além de cantarem uma das músicas mais legais do longa. A menção honrosa fica com o garotinho rebelde Gavroche,  filho do casal que cuidara de Cosette e irmão de Éponine, interpretado por Daniel Huttlestone.

Quanto ao figurino, é lindo mesmo. Acredito que tenha chances de vencer, mas deve ter um páreo duro com Anna Karenina e mesmo Lincoln. A direção de arte é linda, mas acho que a de Pi ainda é melhor. A maquiagem e cabelo têm chances, eu apostaria nisso. A não ser que O Hobbit surpreenda.

De resto, quem é que não quis ver um musical estrelando Anne Hathaway & Hugh Jackman depois daquela apresentação do Oscar?

les-miserables-cat-woman-wolverine-posterAliás, ainda no que diz respeito aos dois, é muito interessante pensar no Wolverine e na Mulher-Gato cantando sofridamente. Isso mostra a versatilidade de ambos e merece elogios.

Mas pra terminar o post, preciso dizer que Os Miseráveis teve um grande erro: não ter Lea Michele no elenco.

Porque, amigo, veja bem. COMO É QUE, nessa altura do campeonato, HOLLYWOOD FAZ UM MEGA MUSICAL E NÃO CHAMA RACHELzinha??? Como???

Ela já deu até alguns shows em Glee, cantando músicas de Les Misérables.

Sério. Seria a Éponine perfeita. Ok, ok, ok… Samantha Barks está ótima. Mas como diria nosso amigo Ross, “she is not Rachel“.

Fora isso, tá mara.

 

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3 comentários sobre “Oscar 2013 – Os Miseráveis (Les Misérables)

  1. Torçamos para que uma luz quase divina se direcione aos responsáveis pelo Cine Araújo, aqui de Porto Velho para passar pelo menos uma semana de todos os filmes indicados.
    Detalhe do pedido: que não venha somente cópias dubladas!

    Note bem que eu não quero SÓ legendado, mas que haja opções de pessoas que sabem ler com certa desenvoltura e que sabem que a dublagem, na maioria das vezes, acaba com o filme.

    Beijo, Lelê! Ótimo post!

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