Oscar 2013 – Lincoln (Lincoln)

lincoln-posterIndicações (#12):

Melhor Filme
Melhor Diretor (Steven Spielberg)
Melhor Ator (Daniel Day-Lewis)
Melhor Ator Coadjuvante (Tommy Lee Jones)
Melhor Atriz Coadjuvante (Sally Field)
Roteiro Adaptado
Fotografia
Edição
Trilha Sonora Original
Mixagem de Som
Figurino
Design de Produção

O filme retrata um momento importante na história dos Estados Unidos: a emenda que aboliu a escravidão;  focando um dos mais importante presidentes da história dos Estados Unidos: Abraham Lincoln.

A escravidão e seus efeitos andam em pauta em Hollywood. E costumam render alguma indicações, só com Lincoln são nada menos que 12 (o recordista do ano). Ano passado, havia The Help, que falava sobre a segregação racial e a situação negra na década de 60 no Mississipi. No Oscar 2013, são dois longas que retratam – cada um do seu jeito – o tema. Além de Lincoln, que como já dissemos, conta a história dos bastidores da 13ª emenda da Constituição, temos também Django, do justiceiro Tarantino.

lincoln-caçador-vampirosO que também está em alta nos States é o famoso ex-presidente. Lincoln, personagem icônico da história americana desde sempre (afinal, ele é o cara da escultura gigante na cadeira! Também conhecido como Lincoln Memorial…), ganhou não um, mas dois filmes nesse ano que passou. Mas podemos deixar o Abraham Lincoln: o Caçador de Vampiros (sósia do Liam Neeson) pra lá.

Quanto ao filme mais interessante cinematograficamente falando, um dos maiores méritos é, sem dúvida, o personagem construído por Daniel Day-Lewis, o grande favorito para levar pra casa o Oscar de melhor ator. O inglês, que já tem dois prêmios na carreira, conseguiu criar uma aura de sabedoria, honra e poder em torno do personagem, tornando-o ainda mais lendário.

O Lincoln visto no filme é uma pessoa que impressiona. Que exige respeito falando em tom calmo e baixo. Que fala coisas profundas e eventualmente um tanto quanto aleatórias. Que demonstra uma confiança incrível e uma grande humanidade. Mas o interessante nisso é que todos esses sentimentos são transmitidos de maneira sutil e indireta. Os detalhes, tão típicos de Spielberg, são valiosos. A altura de Lincoln e seu modo de andar, por exemplo. Nada muito escancarado, mas marcante. E esse talvez seja o resultado do trabalho marcante de Day-Lewis.

E assim como o tema escravidão rende seus frutos, interpretar líderes importantes também tem se mostrado uma boa. Que o digam Meryl Streep (Margaret Tatcher, A Dama de Ferro, 2011) e Colin Firth (George VI, O Discurso do Rei, 2010). É tipo um atalho pra ser indicado ao Oscar.

Mantendo-nos no campo das atuações – que é, no fim das contas, o que segura o filme, já que o assunto é denso e duas horas e meia são preenchidas por diálogos mais ou menos exaltados e/ou profundos – Sally Field também merece destaque. Ela, que fez #aloka e correu atrás do papel, foi considerada pela equipe como velha demais para interpretar Mary. Sua indicação a melhor atriz coadjuvante mostra que estavam errados.

Mas quem realmente me deixou boquiaberta foi Tommy Lee Jones. Eu nunca o havia visto trabalhando tão bem. Na realidade, eu acho que nem sabia que ele era tão bom ator. Sua atuação é sensível embora radicalmente firme. Emociona com suas palavras curtas e a ironia fina, sendo responsável por alguns dos melhores momentos do filme. Eu ficaria bem feliz se ele ganhasse como melhor ator coadjuvante. O páreo é (muito) duro e ele não deve vencer o favorito Christoph Waltz (mais protagonista do que Lee Jones), mas confesso que é dele a minha torcida. Bom, eu acho.

Quanto à direção, Spielberg é Spielberg. O que significa que o filme tem ETs tudo em Lincoln é extremamente grandioso e detalhista. A fotografia, a trilha, os discursos, as guerras. Aliás, Steven voltou a uma vibe “war”, né? Ano passado, seu filme indicado tinha como pano de fundo a 1ª GM, enquanto dessa vez vemos o desenrolar da Guerra Civil Americana (Norte x Sul).

O roteiro é adaptado e consegue manter a atenção, mas a primeira meia hora de filme pode dar um pouco de sono. A partir de um certo momento, a coisa engrena e você também quer fazer discursos e torce pelo sucesso da corrupção por uma causa justa. Apesar disso, não acho que vença Argo.

A fotografia é linda, como já dissemos. Tem boas chances, embora minhas apostas continuem com Pi. A edição também é boa e aqui acho que as probabilidades estão com Lincoln, mas não tenho muita certeza.E John Williams está para Steven Spielberg como Danny Elfman está para Tim Burton. O criador de trilhas inesquecíveis faz um trabalho correto, mas nem de longe épico como algumas de suas obras.

A mixagem de som eu particularmente acho que está entre Os Miseráveis e 007 – Skyfall. O figurino é forte, como todo filme de época. E o design de produção também é excelente, embora não seja o meu favorito.

Em resumo, acredito que Lincoln seja um bom filme. Um ótimo filme, se considerarmos todos os pontos técnicos. O tema é atraente e tudo é muito caprichado, feito com o esmero característico de Spielberg. Não é, no entanto, o melhor filme do ano. Ao menos na minha opinião. Não me envolveu tanto quanto outros. E ao observar as indicações do longa é possível perceber como as atuações pesaram para que o filme fosse bem recebido pela crítica. Mas o conjunto é bem bom (e denso), principalmente para quem gosta de história e/ou política.

obama-lincolnÉ sempre bom pensarmos no quanto a sociedade já evoluiu (mesmo que seja reparando nos erros passados). O absurdo da época… negros livres? Negros colocados em igualdade com brancos? Negros votando? O que viria a seguir? O voto universal?

O que pensariam, então, de um negro presidente dos Estados Unidos? O que será que Obama sentiu ao assistir ao filme? O que Lincoln sentiria ao ver o primeiro presidente negro da nação mais importante do mundo?

É sempre bom lembrar e admirar a postura de quem, naquela época, se impôs e lutou – com as armas que pôde – contra a injustiça.

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