Oscar 2013 – Django Livre (Django)

Django-posterIndicações (#5):

Melhor Filme
Melhor Ator Coadjuvante (Christoph Waltz)
Roteiro Original
Fotografia
Edição de Som

Django é um escravo liberto que se associa a um caçador de recompensas alemão em troca de (real) liberdade e ajuda para resgatar sua esposa, que continua na mão de senhores cruéis.

Tarantino pra render uma sinopse assim, né?! Como dissemos em Lincoln, a escravidão entra como tema novamente. E aqui temos um ponto de destaque… pense rápido: diga as duas das maiores vergonhas da história da humanidade que lhe vêm a mente.

Escravidão e Holocausto?

 That’s a bingo!

Exato. Falamos da escravidão e do holocausto, dois dos mais terríveis episódios da história. Fatos que qualquer um de nós gostaria de reescrever, não é? Pois bem, diretor de cinema que é, foi justamente isso que Tarantino fez.  Reescreveu a história, com requintes de crueldade justificada em uma vingança mais do que apoiada. E se tem algo que chama a atenção na ficção é a vingança (não é mesmo, Avenida Brasil?).

E esse, que é o maior elo entre Django e Inglourious Basterds, acaba gerando uma comparação entre os dois filmes e soa negativamente para o novo longa do diretor. É difícil não colocar os dois lado a lado, quando ambos se baseiam em uma vingança sanguinária e carismática, onde Hitler vai pelos ares ou um ex-escravo negro mata criminosos brancos a torto e a direito.

Quando há essa comparação, inevitavelmente conduzida por Christoph Waltz, Django sai perdendo. Não porque não seja um bom filme, porque é! Na realidade, é um ótimo filme – e bem divertido -… maaaas não é Bastardos. E se essa é a crítica a Django, o filme tem outros vários pontos positivos que merecem destaque.

Já que falamos de Waltz, vale começarmos falando sobre as atuações. Geralmente, quando se trata de Tarantino, isso sempre merece nossa atenção. Jamie Foxx faz o que dá com seu personagem (o principal, que dá nome ao filme). Não fala muito, está mais focado em matar, mas é bom. Faz bem o que deve fazer, não compromete e nem é brilhante. Fiel à sua essência.

Já o ~dentista~ interpretado por Christoph Waltz rouba a cena novamente. Ele consegue, como poucos, ser um gentleman sanguinário divertidíssimo. Caçando recompensas like a lord. Faz grande dupla com Foxx e atinge um gracioso equilíbrio com ele. Enquanto isso, Leonardo DiCaprio mais uma vez prova que é não apenas versátil, mas um dos melhores atores da sua geração. Seu personagem é asqueroso, sádico e divertido, e sua interpretação consegue mostrar cada uma de suas vertentes – até mesmo o irmão carinhoso e estranho.

O roteiro ajuda nas atuações de destaque da dupla. Não é à toa que concorre a melhor roteiro original (embora eu acredite que A Hora Mais Escura tenha mais a cara do Oscar). A fotografia é linda mesmo, no nível dos concorrentes, mas sai atrás na corrida pelo prêmio.  A edição de som é boa, acho que tem chances – mas nada favorito.

Django não deixou diálogos memoráveis ou cenas épicas, mas é um filme excelente. Tem poucas chances de ganhar muitos prêmios, tirando o melhor ator coadjuvante, Christoph Waltz.

Assim como Lincoln, Os Miseráveis e até mesmo Pi, eu tiraria uma meia hora de filme. Nada que estrague o resultado final. De um jeito sangrento, é a maneira encontrada por Quentin Tarantino de mostrar os absurdos que os escravos sofreram nos EUA. Uma visão “faroestiana” peculiar e divertida, mas que nem por isso deixa de lado a humilhação e a dor enfrentada na época.

Vale ver: western, drama, romance, revanchismo histórico e – por que não?! – comédia (no melhor humor negro do diretor) em um ingresso só.

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