Philip por Felipe

O que dois escritores, um, americano, considerado um dos maiores da segunda metade do século XX, o outro, um iniciante brasileiro, nascido em em 1990, poderiam ter em comum?

Começa pelo nome. Philip é a inspiração para Felipe. O primeiro livro do jovem autor paulistano, “Mentiras“, será publicado ainda este ano.

Felipe Philip Roth livros

Felipe Franco Munhoz ganhou a Bolsa Funarte de Criação Literária (e um incentivo de R$ 30 mil), desbancando cerca de outros 2 mil autores, com a proposta de escrever um livro baseado na obra de Philip Roth.

O autor americano de origem judaica é referência para o brasileiro, que terá em 2013 uma das maiores honras de sua curta (mas promissora) carreira: participar das comemorações dos 80 anos de Philip Roth.

A convite da “The Philip Roth Society“, ele irá a Newark, New Jersey – cidade natal de Roth – nos dias 18 e 19 (data de nascimento do autor) de março. Felipe irá participar da mesa “Philip and the Fiction Writer“, onde ainda irá ler um trecho de seu livro ainda não publicado.

Além de tudo isso, Felipe irá mediar a mesa “Nemeses“, a respeito da última sequência de trabalhos de Roth, que anunciou aposentadoria em 2012.

Mas de onde vem essa ligação que faz duas mentes, a princípio tão distantes, parecerem funcionar de forma tão semelhante?

A resposta pode estar na infância. Felipe convive desde pequeno com um problema chamado Forame Oval Patente (FOP), um pequeno orifício no coração que pode provocar AVC e/ou intensas enxaquecas. Devido às restrições que a doença trouxe, desde garoto Munhoz dedicou-se à música e viveu em um mundo à parte na leitura. Dos gibis ele chegou aos romances policiais, dali passou para a política e enfim encontrou-se na ficção.

O incentivo veio dos pais, como ele mesmo diz:

Meus pais sempre incentivaram. Eu gostava. Há alguns dias, por exemplo, encontrei dois livros que ganhei em 1997: O último dia de um condenado à morte, de Victor Hugo; e O homem que sabia javanês e outros contos, de Lima Barreto. Fiquei surpreso com a data.

A delicada condição de saúde fez com que se acostumasse desde menino com a ideia da morte como uma companheira constante, embora indesejada.

É, talvez, esse um ponto importante que une Philip e Felipe. A ideia de finitude que permeia algumas obras do autor de “O Complexo de Portnoy” e “Pastoral Americana” esteve sempre presente na vida de Munhoz.

E mais uma vez nos nomes, Felipe e Philip se encontram frente a frente.

Mentiras” (FRANCO MUNHOZ, Felipe) é livro homônimo ao de Roth, escrito em 1990, e ambos os livros são inteiramente escritos em diálogos. As semelhanças nos traços literários continuam também no decorrer das páginas, onde a autorreflexão dos personagens, marca de Philip, também se faz presente na ficção de Felipe.

É uma grande honra que tenhamos um escritor tão jovem representando a literatura brasileira em um evento de tamanha importância. Em um universo literário com tantas obras um tanto quanto duvidosas, as Mentiras de Felipe Franco Munhoz são um alívio.

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