Invasão Corinthiana – 36 anos depois e do outro lado do mundo

A coisa era terrível. Nunca uma torcida invadiu outro estado país, com tamanha euforia.

Teve cartilha, reunião com torcedores e mais um enorme esforço de japoneses aterrorizados com a iminente (e eminente) invasão que aconteceria no país durante essa semana.

5, 10, 20 mil corinthianos (ou mais) seguiram o time. 15 mil até o aeroporto, e um tanto mais até o outro lado do mundo.

Mais uma invasão corinthiana. Não é a primeira da história, nem mesmo a segunda e não será a última. Mas considerando a distância percorrida – “o maior deslocamento humano entre continentes em tempos de paz!“, grita um corinthiano ao fundo -, é uma das mais relevantes.

É tudo novidade. Impulsionado não por um jejum de títulos que dura mais de 20 anos e sim pela conquista da inédita Libertadores, o corinthiano vendeu, leiloou, fez empréstimo e contraiu dívidas pra poder dizer “Banzai Corinthians“.

E, bom, eu também gostaria de estar lá. Mas como não me sobra dinheiro e/ou insanidade, acompanho e torço daqui. E como não podia deixar passar, relembro as palavras do grande Nelson Rodrigues sobre a primeira das invasões alvinegras.

Também em uma semi. Lá, em 1976, no Maracanã, contra o Flu pelo Brasileiro.

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Uma coisa é certa: não se improvisa uma vitória.

Vocês entendem? Uma vitória tem que ser o lento trabalho das gerações. Até que, lá um dia, acontece a grande vitória. Ainda digo mais: já estava escrito há seis mil anos, que em um certo domingo, de 1976, teríamos um empate. Sim, quarenta dias antes do Paraíso estava decidida a batalha entre o Fluminense e o Corinthians.

Ninguém sabia, ninguém desconfiava. O jogo começou na véspera, quando a Fiel explodiu na cidade. Durante toda a madrugada, os fanáticos do timão faziam uma festa no Leme, em Copacabana, Leblon, Ipanema. E as bandeiras do Corinthians ventavam em procela. Ali, chegavam os corintianos, aos borbotões. Ônibus, aviação, carros particulares, táxis, a pé, a bicicleta.

A coisa era terrível. Nunca uma torcida invadiu outro estado, com tamanha euforia. Um turista que, por aqui passasse, havia de anotar no seu caderninho: “O Rio é uma cidade ocupada”. Os corintianos passavam a toda hora e em toda parte.

Dizem os idiotas da objetividade que torcida não ganha jogo. Pois ganha. Na véspera da partida, a Fiel estava fazendo força em favor do seu time. Durmo tarde e tive ocasião de testemunhar a vigília da Fiel.

Um amigo me perguntou: “E se o Corinthians perder?” O Fluminense era mais time. Portanto, estavam certos, e maravilhosamente certos os corintianos, quando faziam um prévio carnaval. Esse carnaval não parou. De manhã, acordei num clima paulista. Nas ruas, as pessoas não entendiam e até se assustavam. Expliquei tudo a uma senhora, gorda e patusca. Expliquei-lhe que o Tricolor era no final do Brasileiro, o único carioca.

Não cabe aqui falar em técnico. O que influi e decidiu o jogo foi a torcida. A torcida empurrou o time para o empate.

A torcida não parou de incitar. Vocês percebem? Houve um momento em que me senti estrangeiro na doce terra carioca.

Não é o Flu, vai ser (provavelmente) o Chelsea. Ainda assim, a equipe inglesa é, assim como o Flu era em 76, mais time. Não estaremos no Rio, o campo agora é no Japão. Não temos 70 mil corinthianos por lá, mas os milhares que estão carregam as vozes de uma nação composta por milhões.

Vai, que eu vou com você, Corinthians.
Vai, que eu vou com você, Corinthians.

O corinthiano, esperto como continua sendo, já faz (de novo) prévio carnaval. Venceu o primeiro jogo, passou pela obrigação. Agora é festa (na favela). É aproveitar e lutar, até o fim, para que o desfecho repita aquele de décadas atrás.

Torcer, vibrar, gritar. Fazer tudo que for preciso para que a torcida faça a diferença uma vez mais. Para contrariar mais uma vez a máxima dos “idiotas da objetividade” de que torcida não ganha jogo.

Qualquer torcida talvez não. Mas a Fiel já ganhou antes. Domingo, tentaremos o improvável de novo. Repetindo o cenário da primeira invasão alvinegra, onde os sentimentos são os mesmos: fidelidade e paixão.

Então jogai por nós, Corinthians.

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Mais fotos da nova invasão corinthiana, L!

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