007 – Skyfall

“Let the sky fall
When it crumbles
We will stand tall
And face it all
Together”

Até rolava por aí um boato que dizia que Skyfall seria o último filme de Bond estrelado por Daniel Craig, o que daria forças para a boa recepção da crítica (com alguns comentários que chegam a classificá-lo como o melhor filme da série). No entanto, pelo jeito isso não é verdade. Craig teria contrato assinado para mais dois filmes, completando ao todo 5 longas e se tornando o terceiro Bond que mais atuou (atrás apenas de Sean Connery – com 6 – e Roger Moore – com 7).

Mas então, se não é esse o motivo do sucesso do filme, qual é?

O que, afinal, teria mudado e convencido as pessoas de que esse filme, estrelado pelo contestado Daniel Craig, seria o melhor de todos?

Bom, se é o melhor ou não, eu não sei. Mas posso listar aqui alguns motivos que fazem de Skyfall um filme muito legal.

*Este post pode (e provavelmente irá) conter spoilers a partir daqui.

Poster bem original de Skyfall

Comecemos por Craig… os fãs de 007 nunca engoliram por completo esse Bond loiro e extremamente bombado. Confesso que eu mesma nunca entendi completamente a escolha desse ator, que particularmente achava meio inexpressivo e nenhum pouco charmoso.

Ao mesmo tempo, eu sempre gostei da forma que ele compôs o personagem, achei que Craig deu a ele um ar mais sério, menos fanfarrão, mais introspectivo. O que, pra mim, deixou mais crível a capacidade desse agente de detonar todo mundo. Então, o saldo de Daniel como 007, pra mim, sempre foi positivo. Até porque eu a-d-o-r-o Casino Royale.

As críticas do filme que estreou nesse final de semana afirmam que Craig “finalmente” entrou no personagem. Não sei dizer se a culpa foi bem dele, acho que o roteiro também precisa ajudar, e esse ajuda. A ironia permeia todo o filme e o sorrisinho de canto de Daniel convence sem ser exagerada.

Não temos, em Skyfall, uma bond girl tradicional. E isso também é algo muito interessante. Apesar de Naomie Harris (mais conhecida pela bruxa de Piratas do Caribe – e se você fechar os olhos e só ouvir seu modo de falar você vai se lembrar disso) e  Bérénice Marlohe (que interpreta Sévérine) contracenarem com Bond, o papel feminino do longa é inteiramente de Judi Dench, a boa e velha M.

A fotografia é muito bem explorada e algumas cenas são realmente notáveis. Ação, drama e pinguinhos de comédia irônica se equilibram perfeitamente em cenários dignos do agente secreto mais glamuroso do cinema. A direção de Sam Mendes, ex da diva Kate Winslet, faz muito bem à série.

Não dá pra deixar de fora a trilha sonora (algo sempre marcante quando tratamos de 007). A de Skyfall não poderia ser diferente. A música composta e interpretada por Adele comanda a abertura – a princípio desconexa – do longa e encaixa perfeitamente no filme. Daniel Craig chegou mesmo a comentar que chorou na primeira vez em que ouviu a canção.

O elenco é reforçado por nomes de peso como Ralph Fiennes e Javier Bardem, este último conquistando um espaço na galeria seleta que enaltece os melhores vilões dos 23 filmes e 50 anos de Bond.

E não tem mesmo como negar: Bardem está incrível. Aliás, o papel dele também é muito bom, no sentido de que a história evoluiu com o tempo. Assim como a espionagem (e seu modus operandi) mudou, o vilão não é mais um troglodita. E é mérito de Javier que o personagem funcione. O vilão afeminado poderia virar piada nas mãos de um ator menos habilidoso, mas Bardem rouba a cena sempre que aparece.

Fabulous Bardem.

E, perceba, a química entre ele e Daniel Craig diverte e convence, o que se torna um ponto ainda mais forte em Skyfall. Se bem que é o Javier Bardem, né gente? Eu e a Luiza conversávamos sobre isso quando saímos da sessão: se você tem um papel problemático, difícil ou inacreditável, entregue-o para Javier Bardem e o assista transformar aquilo em algo sensacional. A linha tênue entre a chacota e a boa atuação é equilibrada com jeito pelo espanhol.

Mas deixando tudo isso de lado um pouquinho, eu tenho uma teoria que (também) explica o porquê de tanto sucesso.

Empatia. Aquele sentimento que faz com que nós nos identifiquemos com alguém e possamos nos colocar no lugar daquela pessoa em determinada situação.

Lendo isso, você pode pensar “say whaaat? como, na Terra, eu posso me identificar com James Bond?“, mas não é tão simples. O que eu quero dizer é que em obras ficcionais, essa empatia pode ser gerada através de sentimentos. Ou seja, quando o personagem sente algo, quando ele se torna vulnerável, quando ele é humanizado. É em momentos assim que esse elo de empatia é criado e/ou fortalecido.

É justamente por isso que gostamos tanto de filmes “a la” ~origens~. Histórias assim nos fazem compreender personagens melhor (tornando-os mais complexos e menos maniqueístas). Você se lembra de X-Men First Class? Magneto é o melhor personagem. Você dificilmente irá olhar Sir Ian McKellen da mesma maneira depois disso. Tudo porque você vê que ele nem sempre foi aquele cara frio usando o capacete esquisito. É possível entendê-lo, ver a amizade genuína que ele e o Professor Xavier mantinham e pronto, nada mais é só preto ou só branco.

E isso pode acontecer com qualquer tipo de personagem. Heróis, anti-heróis, vilões. Vejamos alguns exemplos:

Herói: Bond, James Bond.

O agente secreto badass, que nunca se apaixona e pouco mostra do que sente de verdade, é destemido e não tem laços afetivos com ninguém em sua vida. Um verdadeiro badass que vive com estilo ao redor do mundo. Assim, não tem nada a perder. Em Skyfall, compreendemos que ele é um órfão vindo da Escócia, e que tem com M quase uma relação de família. Perdendo os pais cedo, ele foi “obrigado” a se tornar homem mais cedo. Talvez, o Bond de Daniel Craig seja o único que tenha a coragem de sentir. Que tenha a coragem de chorar, de se importar, de perder (bem como em Casino Royale). E isso faz dele, pra mim, um Bond muito melhor.

Anti-herói: Dexter Morgan

Dexter, como já dissemos aqui algumas vezes, é um assassino que tem como vítimas outros assassinos em série. E enquanto ele era só isso, a série não era tão forte. A partir do momento que o personagem começou a se desenvolver, mostrou que gostava de verdade da irmã Deb e se apaixonou genuinamente por Rita, Dexter se tornou mais humano. Ao perder a esposa, então, o espectador pôde sentir e dividir a dor com ele.

Vilão: Carmen Lucia

A Carms tem um post todinho pra ela, mas vale ser destacada aqui porque ela fez de Avenida Brasil um fenômeno. Adriana Esteves mesmo diz que não esperava ser tão querida, afinal, céus, ela enterrou a enteada viva (só para um sustinho, mas enterrou!). Mas enfim, quando começamos a entender que apesar de vilã, Carminha também era vítima da vida que teve, ela se tornou ainda mais querida. Os trejeitos divertidos da personagem (e sua redenção) só ajudaram.

Pois bem, a empatia pode alavancar um sucesso.

Mas como nem tudo é perfeito, algumas críticas reclamaram do filme por afirmar que parecia demais como um jogo de video game. Não julgo, parece mesmo. Dá até pra dividir as fases:

(Só leia essas fases caso você realmente tenha assistido ao filme! Ou se você não tá nem aí pra saber tudo que acontece.)

***

1. Perseguição na Turquia (você vai dirigir de moto pelos telhados no melhor estilo Aladdin).

2. Lutas com o árabe no prédio

3. Ganhe dinheiro no cassino para comprar mais armas

4. Lute com os lagartos gigantes

5. A ilha

6. Fase no subterrâneo de Londres

7. Fase na Escócia

8. Fase do fogo

9. Fase da água

10. Enfrente o chefão na igreja

Em meio a tudo isso você sempre pode treinar (no QG) e ir até o bar recuperar sua vida (também disponível em forma de whisky nas fases).

Seria um jogo muito mara né? Assim como o filme.

Agora um ( ) pessoal sobre algo que eu não entendi… o agente interpretado por Daniel Craig realmente se chama James Bond? Então ele é o mesmo aquele do Sean Connery e cia? Não existiam vários da divisão 00 e todos eles se reportavam como Bond?

Porque, gente, como assim?! O agente mais fodástico do mundo usa o NOME REAL??? Isso não pode. E eu achava que eles não eram os mesmos… Enfim, sobrevivo sem essa resposta.

Pra completar a ótima experiência com Skyfall, ganhamos Coca-Cola zero na saída do cinema. Você lembra da ação da Coca nos estrangeiro? Onde a pessoa tinha 70 segundos pra completar uma ‘missão’? Caso você não se lembre, o vídeo tá aqui embaixo. Mas então, o refrigerante, como patrocinador do filme, marcou presença e deu coca geladinha pra geral.

Nunca satisfeitas, eu e a Luiza ainda falamos que a latinha poderia vir personalizada. “Quanto mais BOND melhor“. Mas né, tá bom, já é uma grande coisa.

E, por fim, quanto a Skyfall, continuo com a mesma opinião: se é ou não o melhor filme da franquia, eu não sei. Mas é um dos que eu mais gostei e é, independente dos outros, um grande filme. Merece ser visto no cinema. Você nem vai reparar que as mais de 2h20 vão voar.

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12 comentários sobre “007 – Skyfall

    1. Hahaha sério? pq??? eu aprendi a gostar dele, mas não sei pq haha.. e eu acho ele bombado demais, qnd ele fez Lara Croft ele era normal, era bem melhor

      1. sei lá, preciso ver outros 007 além do Pierce Brosnan, mas acho o Daniel Craig beeeeem melhor que o Brosnan. Bem melhor hahahahaha.

  1. Será que só eu achei esse filme fraquíssimo? Previsível (quem não sacou que a faca do tio velhinho seria usada, por exemplo?), assim também com outras cenas…. Caramba, nem a tradicional cena inicial grandiosa se fez presente. E esse papo de questões são James Bond? Achei que pelo menos alguns princípios os diretores convidados deveriam seguir…Pela primeira vez fiquei entediado em um filme do 007….Fraco mesmo.

  2. Oi Lê! Eu amo 007… Queria sua ajuda pra achar o poema que a Emmy, M, lê no tribunal quando está no julgamento. No filme Skyfall. Amei o filme, 007 parece um sonho. Ainda assim, prefiro o glamour do Casino Royalle! Obrigada, bjs

    1. Oi Ariella!
      Ao que tudo indica, o poema é “Ulysses”, do Tennyson (eu só lembrava que era dele haha).
      .
      “… We are not now that strength which in old days Moved earth and heaven; that which we are, we are; One equal temper of heroic hearts, Made weak by time and fate, but strong in will To strive, to seek, to find, and not to yield.”

      A tradução está aqui: http://safraquebrada.blogspot.com.br/2006/06/ulisses-de-tennyson.html

      E a parte que ela recita é o finalzinho 🙂
      Obrigada por passar no blog e comentar! Volte sempre.

  3. O que achei sensacional nesse filme foi a retomada de antigos personagens da serie e ainda por cima a tradicional abertura do filme com o famoso tiro e o sangue escorrendo deixada pro final deixando um ar de que tudo é novo no mundo do james bond feito por Craig.
    E claro que alem disso varias outras coisas fazem desse filme um dos melhores da serie.

  4. Daniel Graig é único 007 a altura de Sean Connery.
    Skyfall foi maravilhoso… um 007 apaixonadamente mais humano!
    Show ele utilizar o mesmo carro do 1º filme da série James Bond!
    Imperdível! Simplesmente adorei

  5. Filme muito bom mesmo
    nem se repara no tempo
    porém quem assiste o trailer e depois o filme fica com um gosto de querer mais
    e a bond girl severine acho que foi a mais inoperante de todas só serviu pra uma transa e nada mais destaco a atenção formidável do bardem e do próprio craig,que não deve ser comparado com o sean connery apesar de fazerem o mesmo personagem o estilo é diferente o sean como já falaram aí era mais festivo “animado”,o craig é mais sério mais realista digamos assim pra mim melhor que o roger moore que algumas vezes parecia mecânico!!!!!

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