Por que você tem que ver o último capítulo de AVENIDA BRASIL

Avenida Brasil chegou ao fim. Uma parte de mim se entristece (principalmente pelas propagandas chatíssimas de #DormeJorge com a “Nada Consta” – valeu twitter, haha) e a outra fica feliz ao pensar que poderei voltar à vida a partir da semana que vem.

E diante de tanto alvoroço a respeito do fim de um dos maiores sucessos da teledramaturgia brasileira, eu, noveleira que sou, resolvi listar alguns dos motivos que explicam um pouco tão bons resultados.

Você vê isso e já solta um “Oi, Oi, Oi”

1. Personagens secundários 

Pra mim, esse é um dos principais motivos do sucesso de Av. Brasil. A Disney sempre mostrou com perfeição a importância de contar com personagens secundários carismáticos e divertidos. Preste atenção e você perceberá que qualquer um de seus filmes tem a participação que soa sempre como um sorriso de alívio em qualquer situação. Até mesmo Wall-e, que não tem sequer falas, tem uma baratinha simpaticíssima.

Em novelas então, a necessidade disso é tremenda, já que você precisará arrastar o enredo por meses a fio. Dos vários acertos de Avenida Brasil, eu destaco 3, os meus favoritos:

Zezé (Cacau Protásio), também conhecida como “Eu quero ver tu me chamar de amendoim

Adauto (Juliano Cazarré), vulgo Dadau. Ele confunde amnésia com magnésia e continua adorável justamente por isso

Nilo (José de Abreu), o âncora do Jornal do Nilão (#hihihi)

Geniais.

2. Núcleo da Família Tufão

Carminha carinhosamente os chamou de “Família Topeira” durante toda a novela, mas acredite, a representação dessa família que saiu da classe C e ascendeu socialmente, não deixando de lado suas raízes e cultivando valores como a amizade, a humildade e a união em família conquistou o Brasil.  Esse núcleo tem a direção (detalhista e talentosa) de Amora Mautner, e seu capricho com certos pontos fez toda a diferença.

Ela incentivava o improviso, o falatório – todo mundo falando junto, um por cima do outro se interrompendo – e a “bagunça aconchegante”. Exemplos vistos em cenas como a que a Nina, ainda empregada, vai servir um “Cordon Bleu” e alguém – que não é o Juliano Cazarré – solta ‘Camdomblé‘ e pronto. Essa vira a mais nova fala do ex-jogador Adauto. Ou, ainda, a simplicidade como Ivana manda o pai tirar os pés do sofá… coisa de dona de casa, coisa do nosso dia a dia. E esse é o segredo.

Pequena Miss Sunshine, versão Rio 40 graus

3. O Elenco

Não é novidade pra ninguém que o plantel de atores da Globo é de dar inveja a muita gente. Mas nem sempre a combinação funciona, a química rola, a faísca surge. O fator positivo é que em Avenida Brasil, a mistura deu certo. Já falamos de três personagens incríveis – Zezé, Adauto e Nilo – mas vale falar sobre mais alguns…

Marcos Caruso, paulistano fechado, está mais carioca que muito malandro do Rio como Leleco. Eliane Giardini interpreta uma Muricy total mãe de família que só te irrita, mas que você gosta mesmo assim – bem como a louca da Ivana, trabalho de Letícia Isnard. José Loreto surge como o fantástico Darkson Claudia Missura faz uma Janaína sensa. Otávio Augusto, sempre bem, apresenta Diógenes, enquanto Fabíula Nascimento diverte como Olenka. Isis Valverde é maria chuteira, periguete e sem noção como Suellen, mas é uma querida. E a pequena Ana Karolina, intérprete de Ágata? #todosadora

Como eu disse antes, o elenco de apoio é incrivelmente importante em uma novela. Em Avenida Brasil, eles têm feito seu papel – e muito mais. Destaque, claro, para Murilo Benício que criou um Tufão carismático, honesto e divertido. Cheio de trejeitos, tornou-se um personagem adorado. É, provavelmente, um dos melhores papéis do ator. Também temos nossa boa e velha Mãe Lucinda, interpretada por Vera Holtz e Marcello Novaes bem como Max.

(Cauã Reymond não pontuou nesse quesito porque ele faz a mocinha da novela e todo mundo sabe que a mocinha só chora.)

Nina is watching you…

4. A trilha sonora “ousada”

Qualquer novela que escolha Kuduro como abertura merece nosso respeito. O “Oi, oi, oi” pegou (grande parte graças ao Twitter) e você começa a cantar sem nem perceber. É quase como dizer boa noite pro Willian Bonner. Além disso, a trama grudou na cabeça de todo mundo o “Assim você mata o papai” e a música do amendoim (que algumas pessoas – eu não – preferem cantar corretamente).

Tínhamos momentos de Adele também, mas, convenhamos, Set Fire to the Rain não precisava da ajuda global pra estourar – até porque já havia estourado. Mas, né, mal não fez.

5. O Subúrbio

O Divino é o novo Andaraí! (Se você não é noveleiro e perdeu a referência, o Andaraí era um bairro muitíssimo semelhante ao Divino na novela Celebridade. Tinha, inclusive, basicamente a mesma função na trama.)

O boteco frequentado pela geral, os barracos homéricos em plena rua, o vizinho que cresceu com você (e até aquele amigo que frequentava sua casa desde pequeno e era secretamente apaixonado pela sua mãe), o povo se metendo na vida alheia, a fofoca, o futebol – de rua e de campo – e o time do bairro, o vendedor da loja que fica gritando no microfone lá na porta… tudo isso compõe uma atmosfera única e que lembra uma cidade pequena.

É um núcleo que foge um pouco à beleza da zona sul carioca, mas que aproxima a novela do público. Afinal, meça por baixo quanto da audiência leva uma vida mais parecida com a o do Divino e quanto tem apartamentos milionários à beira-mar. É a classe C tomando conta e equilibrando o cenário.

6. O enredo

A história de Avenida Brasil mudou tanto que chegou um momento em que era até difícil explicar pra quem não via o que tava acontecendo. De novo, a questão dos personagens com 3 nomes não ajudava em nada.

Mas perceba… uma novela em que a trama conta a história de uma garotinha de 7 anos que após a morte do pai – por culpa (indireta) da madrasta má – é jogada literalmente no lixo, e volta para se vingar 12 anos depois se passando por empregada da mansão onde sua ex-madrasta é agora “Rainha do Divino” e engana a todos se passando por uma perfeita mãe de família, é incrível, não dá pra negar.

Perfeita para um bom folhetim.

7. V de Vingança

Já que falamos sobre o enredo, abordemos agora o ponto alto da história: a vingança. Ouuu a busca por “justiça”, como não se cansou de dizer Nina, capítulo após capítulo. Esse tema é sempre muito bem sucedido, principalmente quando firmado em pontos que dão, de fato, um motivo para essa sede de justiça (no caso de Rita, a morte do pai e o consequente abandono no lixão).

Em um país como o Brasil, onde por vezes é difícil confiarmos no nosso sistema judicial, esse tipo de enredo rende uma grande audiência e a personagem de Débora Falabella seria quase uma heroína caso não tivesse destruído tantas pessoas em sua vingança pessoal. Mas isso é assunto para um tópico mais pra frente!

Observe Dexter, um serial killer que mata serial killers. Um assassino que mata outro. A série é sucesso absoluto de público e crítica  e há quem defenda que essa seria uma boa ideia pra vida real (sim, existem pessoas assim. Mas isso é assunto pra outro POST!).

De qualquer maneira, a busca por vingança/justiça é sempre uma aposta arriscada, mas que pode trazer resultados muito interessantes.

8. As reviravoltas

Uma novela dura em média cerca de 6 a 7 meses. E esse pode se tornar um grande problema. Afinal, você tem um ‘tema’ legal, acha que vai render, mas aí você se vê no trabalho de escrever 179 capítulos que devem manter uma audiência por mais de meio ano.

Por esse desafio básico, muitas novelas caem no marasmo e ficam batendo na mesma tecla, fazendo com que você possa entender tudo – e não perder nada – assistindo somente à primeira e à última semana da trama. Não julgo, é difícil mesmo. Ainda mais quando temos aquele enredo tradicional de folhetim…

Então, mais uma vez, ponto para Avenida Brasil! O conflito central se transformou em vários conflitos e a novela teve algumas fases. Primeiro Carminha estava por cima e tudo estava bem. Até que a loira descobriu que a Nina era a Rita e resolveu dar uma “enterradinha nela”.

“Vai me enterrar na areia?”

Ninoca intensificou seu desejo de vingança e apareceu (aleluia!) com suas fotos e sua lanterna. A vilã teve o cabelo cortado, ouviu um “me serve vadia!” e comeu o pão que o Santiago amassou durante uns meses.

Cabelo, cabelo meu…
Nina mostra as fotos para a Carminha no melhor estilo “Noite do Terror”
“Me serve, vadia”

Mas Carmen Lucia que é Carminha não se entrega e ela conseguiu – miraculosamente (ou graças à falta de entrosamento entre Nina e a tecnologia) – dar a volta por cima. Saiu (leia fugiu) do hospício (com a ajuda da nossa ilustre Zezé), virou o jogo e fez Nina ser odiada por toda a família Tufão ao mesmo tempo em que continuou aprontando das suas até que cuspiu no prato em que comeu ao tentar matar Max, seu cúmplice.

Voltando dos mortos, Max deu as fatídicas fotos de presente para Ivana e a casa caiu pro lado de Carminha, enquanto Nina foi finalmente aceita de volta – depois de sofrer acusações de roubo, sequestro, assassinato e afins. Escurraçada no Divino, Carmen Lucia acabou de volta ao lixão, Max pirou e queria matar todos – mas acabou morto – e agora a loira está com o pai. Santiago, mais conhecido como Albieri, é o verdadeiro vilão da trama, embora só tenha posto as manguinhas de fora há alguns dias.

E enfim, é isso que temos até então. Pois é, haha, haja reviravolta!

9. Personagens complexos, ou seja, não-maniqueístas

Nas novelas, em grande parte dos casos – uma estimativa de 99,9% – os personagens principais são maniqueístas. Isso quer dizer que eles são heróis ou vilões, não sobrando espaço para o meio termo. É tudo preto no branco, ou você é bonzinho, ou você é mau e pronto acabou.

Em Avenida  Brasil, o que temos visto é uma mocinha que não é mocinha, afinal, como já dito neste post, Nina arrastou consigo, em sua vingança, diversas pessoas que ela afirmava amar como parte da família. Betânia sofreu mais que todo mundo, apanhou, perdeu o namorado e ainda continuava fiel à protagonista. Jorginho sempre ficou no escuro – até que os dois se ajeitaram. Nilo, Max, Mãe Lucinda… a lista é grande.

Ela amava, sim, essas pessoas, mas sua sede de vingança era mais forte do que seu desejo pelo bem-estar deles. Por outro lado, temos Carminha. Uma louca desvairada que, apesar de tudo, ama seu filho Jorginho genuinamente. E por ele – só por ele – é capaz de qualquer coisa. Nesses últimos capítulos, temos visto uma Carminha apática, sofrida e com traumas vindos da infância.

Ela mesma já foi abandonada no lixão. Ela viu seu pai matar sua mãe. Ela perdeu – por sua culpa – o amor de sua vida. Carminha também tem um lado bom e foi exatamente nele que a novela congelou ontem: quando ela pede para que o pai não atire em Nina e Tufão.

E isso, meus caros, é um dos pontos mais positivos de toda a novela. Isso enriquece bastante a obra e é um dos grandes responsáveis por tamanho sucesso.

A saga do anti-herói.. quem é totalmente mocinha, quem é totalmente vilã?

10. Carminha

Nosso último item da lista é nobre, afinal, Avenida Brasil não seria AVENIDA BRASIL sem a prezada Carmen Lucia. É claro que aqui também contemplamos o grande trabalho de Débora Falabella, mas não dá pra negar: Adriana Esteves fez a novela. Ela carregou o piano, mudou de expressão em segundos, xingou, tentou matar o amante, praticou bullying com a própria filha e ainda assim conquistou o coração do brasileiro.

Ou o meu, pelo menos.

A Carminha é um personagem sensacional. Apesar de louca, ambiciosa e basicamente má, Carms mostra seu lado humano algumas vezes. É engraçada, tem um lado vulnerável – que ela só expõe de vez em quando – e, assim, construiu um personagem que apesar de tudo que é, ainda gera compaixão pelo passado que teve. E se aproxima do público.

Nina complementa esse fenômeno da Carminha, igualmente bem – embora sua personagem não seja tão rica quanto a Carmen Lucia. Mas bom mesmo era quando as duas davam o show sozinhas, ou quando proferiam impropérios seguidos pelo sorriso mais cândido que alguém poderia dar ao serem pegas.

“Toca pro inferno, motorista!”

Dupla de peso que fecha os 10 motivos que explicam – um pouquinho! – o sucesso de Av. Brasil.

***

E, olha, confesso que sou mais fã de filmes e séries, até gosto de novelas, mas geralmente perco a paciência com tantos núcleos e capítulos. Ainda assim, algumas acabam me conquistando, como foi o caso de Celebridade e, agora, Avenida Brasil. Lembro como quando alguns meses atrás, duas amigas do trabalho falavam sobre  como havia sido forte a cena da “menininha sendo deixada no lixão“. Eu não entendia bulhufas de por que a menina estava sendo deixada no lixão e muito menos como isso fazia parte da trama.

Comentaram também que a Adriana Esteves estava trabalhando muito bem. Meio desconfiada, eu vi. Achei intenso, bem dirigido (tal qual toda a novela), gostei. Nas primeiras cenas da Carminha, minhas desconfianças já haviam caído por terra. Depois disso, um hiatus e só voltei a ver diariamente quando a Rita-Nina-Maria Antonieta já estava na mansão com “sangue nozóio“. Aquele tanto de personagem com mais de um nome me confundiu, mas aos poucos fui conquistada. E a partir de então, todas as minhas noites tinham um compromisso com a novela.

E conforme o trem começou a pegar fogo, eu não pude mais deixar de ver. Nem eu e nem ninguém, pelo jeito.

É… Avenida Brasil chegou ao fim… e chegou  ganhando contornos épicos na história da TV brasileira. (Update: a Globo diz que aproximadamente 80 milhões (quase 50% da população) assistiu ao último capítulo. E pelo movimento nas ruas – nulo – que mostraram no Jornal da Globo, a informação procede.)
Parabéns aos envolvidos! Beijo especial pra loira mais querida do Brasil: Carms.

Por motivos infames, divertidos ou sérios, o fato é que o Brasil parou pra ver essa Avenida passar.

#FoiFoiFoi

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4 comentários sobre “Por que você tem que ver o último capítulo de AVENIDA BRASIL

  1. Wowwww Lê!
    Mandou muito bem no post!

    So queria complementar elogiando o Joao Emanuel Carneiro, que é um ator de novela foda. Na verdade de vilãs e mocinhas fodas, dessa complexidade e tal. Da pra pegar como exemplo A Favorita, que tinha a Flora e Donatella que era uma vila que virava mocinha, e depois vilã. O cara e foda.

    E uma coisa: SDDs Zeze!

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