Diário de Classe: estudante de 13 anos denuncia os problemas da escola

Você teria coragem de apontar – com vídeos, fotos ou palavras – tudo aquilo que tem de errado no seu trabalho, na sua cidade, na sua escola?

Grande parte das pessoas não faria isso. Talvez até porque já estejamos um pouco acostumados com a ideia de que “não ia adiantar mesmo”. Outra razão que pouco encorajaria, é a imensa possibilidade de retaliação (contra você, sua família, seus amigos).

Mas deixando tudo de lado, foi exatamente isso que Isadora Faber, de 13 anos, fez. A garota de Santa Catarina denunciou a situação de sua escola no Facebook. Através de sua fan page, “Diário de Classe“, ela falou sobre professores, falta de professores, infraestrutura precária e todo o resto que envolve o universo das escolas públicas do nosso Brasil.

Em 2011, o governo investiu 5% do PIB em educação. Em dinheiro, isso representa cerca de 210 bilhões de reais, o que os especialistas consideram pouco. A meta agora é aumentar para 7% do produto interno bruto, mas, convenhamos, nada realmente vai mudar.

Dos mais de 200 bilhões investidos, quanto é que, de fato, chegou às escolas? A julgar pelo estado da escola exposta por Isadora, quase nada. E a realidade é mesmo esta: corrupção em todos os níveis. Desde o político lá, que não repassou o valor que deveria, até o professor de matemática que deixa a sala virada do avesso.

Aqui, poderíamos falar um pouco sobre as cotas das universidades. Ao observar a diferença do ensino público fundamental e do ensino público superior (embora atualmente este também ande ruim das pernas), é possível entender a oposição quanto a essa atitude. Mas é justamente essa imensa injustiça que justifica a ação. O problema é a base. Cotas são medidas paliativas, mas são alguma coisa (o bom e velho “melhor que nada”).

Mas voltemos ao universo da Escola Municipal Maria Tomázia Coelho, na Praia do Santinho (Florianópolis). A página criada por Isadora “viralizou” e chegou em poucos dias aos 10 mil fãs no facebook. No mês de julho, quando a fan page foi criada. a adolescente conseguiu pouco menos de 500 curtir. Só ontem, foram mais de mais de 4 mil “curtidas”. Hoje, são mais de 100 mil fãs. Números do sucesso.

É provável que tamanho interesse venha da admiração pela coragem da garota, afinal, conforme comentamos no início do post, não é qualquer um que encara essa, né? Há, ainda, a empatia pela situação que se multiplica por todo o país e se espalha por pelo menos 95% das escolas públicas nacionais.

Levantou-se a hipótese de uma jogada política – descrença compreensível em época de eleição. Suposição que ganha força com alguns comentários postados, como esse:

…a diretora que disse tudo bem, inclusive já tinha visto a página e deixou porque não é contra a escola, é contra os políticos mentirosos que prometem e não cumprem, então podemos seguir fazendo a pagina…

Não sei se é ou não, até acho que não… embora essa possibilidade seja real. Mas a pergunta que fica é: e se for? E se for uma questão política? É um golpe baixo e absurdo usar uma garota de 13 anos pra isso, no entanto, o fato é que essa é a verdade. Isadora não está inventando nada. Tudo que é exposto na página não passa do dia-a-dia desses estudantes.

Como nem tudo são flores, a garota tem tido dificuldade em contar com o apoio dos próprios colegas e tem recebido ameaças de professores.

Eles me pedem sempre para eu tirar a página do ar, mas não vou tirar. Acho que não estou incomodando ninguém. Só quero ter uma educação de qualidade. É isso que me motiva a fazer esse diário.

 

Sobre isso, só tenho uma coisa a dizer: eles estão contra si. Ou tá tudo bom assim? Porque do jeito que a coisa tá rolando, parece que ela chegou e estragou o paraíso.

No facebook, a adolescente discorre sobre os fios desencapados que têm dado choque nos colegas, os professores substitutos – às vezes em número maior do que os contratados -, a quadra da escola caindo as pedaços e por aí vai. Não é porque isso é normal, corriqueiro, até, que devemos aceitar esse cenário com tamanha naturalidade.

É isso, essa “não aceitação’, que colocou Isadora na mídia. Uma garota de 13 anos tem batido o pé e dito ” isso não é justo, não é suficiente“. E fato é que algumas de suas reclamações têm surtido efeito. O tal professor de matemática está no meio do processo de demissão, alguns ventiladores já têm sido trocados  e as maçanetas foram trocadas para evitar acidentes.

E quer saber? Pra quem passa mais de 3 meses trabalhando só pra pagar impostos anuais, não é justo mesmo. Que sejamos um pouco mais Isadora e cobremos por aquilo a que temos direito.

Começando nessas eleições.

(O engraçado/irônico nisso tudo é que, pelas regras do Facebook, uma adolescente de 13 anos nem poderia estar usando a rede.)

Links relacionados:

Matéria VEJA
Matéria Terra
Matéria Estadão

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Um comentário sobre “Diário de Classe: estudante de 13 anos denuncia os problemas da escola

  1. Tudo bem que se denucie melhorias no serviço público todos nós temos direitos. Mas olhando por outro anglo injustiça foi com o professor de matemática, pois a bagunça era dos alunos, quanta vezes será que esse professor pedia silencio, porque professor nenhum que uma sala bagunçada. É assustador ser professor hoje em dia, os alunos fazem e acontecem, tem direito filmar com seu celular, o que já desestrutura toda a concentrção de uma aula e ainda se sai de vitima.

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