Oscar 2012: Cavalo de Guerra (War Horse)

Indicações (#6)

Trilha Sonora Original
Direção de Arte
Fotografia
Edição de Som
Mixagem de Som
Melhor Filme 

War Horse, como o próprio nome diz, conta a história de um “Cavalo de Guerra”. O filme mostra a história da forte amizade entre um jovem, Albert Narracott, e seu cavalo, Joey. Com a venda do animal à cavalaria do Exército Inglês, acompanhamos a saga de ambos nas trincheiras durante a primeira grande guerra.

“Separated by war, tested by battle, bound by friendship.”

O épico de Spielberg sobre a primeira guerra tem esse tom. É bonito de se ver, longo (como muitos indicados), possui uma trilha que pode soar um pouquinho melosa, parece vir com um selo de Sessão da Tarde, mas é um bom filme. No entanto, se comparado com seus concorrentes, a pergunta que fica é: o que “Cavalo de Guerra” tem (a mais) para ser um dos indicados?

Eu não sei. Mas iremos falar a respeito e no caminho, talvez, descubramos.

Comecemos com a direção. Spielberg vai bem, como sempre. No entanto, não evita que o filme recaia em alguns clichês. Não me entenda mal, eu gosto de clichês! Eu sou o tipo de pessoa que acredita que eles existem por uma razão… mas mesmo assim, por vezes, o filme torna-se um pouquinho demais.

Steven pode, por vezes, ser considerado um tanto quanto sentimentalista, acusação com a qual eu não concordo. Mas a tentativa de demonstrar a irracionalidade humana (e uma das cenas que representa bem isso é a do arame farpado), permeando a narrativa com alguns suspiros de bondade, não atinge todo o seu potencial.

Sabemos que cavalos são animais inteligentes, porém… temos um probleminha com Joey, o cavalo. O que acontece é que em certas cenas do filme, você até mesmo espera que ele olhe pra tela e converse com você (o que não seria tão inadmissível em se tratando de Spielberg). Nada contra animais falantes em filmes, eu particularmente amo A Incrível Jornada (sim, aquele mesmo dos dois cachorros e a gata), mas Cavalo de Guerra não é esse tipo de filme.

Mas chega de reclamar, falemos dos pontos positivos do longa! A fotografia é linda – e ajuda a dividir o filme em dois, “antes” e “durante”a guerra – e a edição é boa. Os concorrentes a melhor fotografia são fortes, apesar da beleza não deve levar. A direção de arte é legal, mas já tem dono: Hugo. Quanto aos prêmios de som e mixagem eu nunca sei dizer, isso me confunde.

Em um cinema onde vemos cada vez mais “Buscas Implacáveis” e “Adrenalinas”, é interessante observarmos um filme que faz o caminho contrário e tem a coragem de se focar na amizade, na lealdade, na honra.

E se pararmos pra pensar, esse pacote sempre atrai. A trilha de John Williams é ok, talvez um pouquinho melosa demais – mas ei, não nos esqueçamos da classificação Sessão da Tarde -, mas cumpre seu papel. Se não cumprisse eu não teria desidratado no cinema. E, bom, se não cumprisse não teria sido indicada a melhor trilha original, que, aliás, não deve vencer (e nem acho que seja merecedora de tal).

Pois é, gente, confesso aqui que de todos os filmes indicados que eu assisti, foi nesse que eu mais chorei. E como chorei. O que mostra que, no fim das contas, o filme acaba conquistando seu objetivo, certo?

As atuações são boas, embora nada seja memorável. O jovem Albert, interpretado por Jeremy Irvine, é provavelmente o melhor. Joey, o cavalo, é o personagem principal. É através de seus olhos que vemos a guerra, as pessoas, as situações. É como se ele nos levasse de carona. Fato evidenciado nos closes espelhados em seus olhos.

Li em algumas críticas que “Cavalo de Guerra” mostra a ligação do homem com a natureza e promove um filme sensível e emocionante. E tudo isso é verdade! A relação parece sincera, você se simpatiza com os protagonistas, torce por eles e se emociona. Talvez esse seja o grande trunfo de Spielberg, a emoção.

O problema aqui é que o ponto mais positivo do filme pode pecar por tornar-se também, em menor grau, seu ponto fraco. Em alguns momentos tudo pode parecer meio caricatural em “Cavalo de Guerra”, filme baseado no livro homônimo (MORPUGO, Michael). Assim como o longa, o livro também é visto pela perspectiva do animal –  e deve ser, inclusive, mais legal até.

Mas eis um fato interessante: War Horse teve a sala de cinema lotada, algo que não aconteceu com Hugo, por exemplo. E tem seus méritos por isso. Além disso, é um épico de guerra (e sempre acolho isso positivamente).

Talvez (e quando eu digo talvez você deve ler com certeza) Cavalo de Guerra não fosse indicado caso tivéssemos apenas 5 concorrentes a melhor filme. Não que o longa seja ruim, longe disso… é só que está abaixo do padrão de seus concorrentes. E vindo de Spielberg, qualquer coisa menos do que ~épico~ pode facilmente se tornar decepcionante.

Resumindo: sou fã de animais, sou fã do Spielberg, sou fã do John Williams, mas digamos que essa não é a melhor obra deles. Apesar dos pesares, é um bom filme. (E deve ficar melhor quanto menos se esperar dele.)

(Não que isso seja de interesse geral, mas acho que cães ainda arrancam mais simpatia que os cavalos. Pelo menos de mim.)

Quer conferir o primeiro capítulo do livro narrado por Joey? Clique aqui! (No fim das contas, ele não era apenas um cavalo falante mas também escritor. E eu aqui, penando pra escrever um post.)

I iz smart.

Problem, human?

Indicações (#6)

  • Trilha Sonora Original
    Apostas: não vence
  • Direção de Arte
    Apostas: não vence
  • Fotografia
    Apostas: não vence
  • Edição de Som
    Apostas: não vence… ou vence (como eu disse, não entendo dessa parte)
  • Mixagem de Som
    Apostas: vence… ou não (como eu disse², isso pra mim é meio igual)
  • Melhor Filme
    Apostas: não vence
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