Enquanto a música ainda toca.

Chega um momento da vida que você começa a pensar várias coisas a respeito do futuro. Esse momento já chegou pra mim, e na verdade ele resolveu ficar por algum tempo. E o engraçado é que eu, insistentemente sempre passo pelas mesmas perguntas.
Será que algum dia eu vou ser realmente boa no que eu escolhi para fazer da vida? Será que eu vou conseguir comprar um carro com o meu próprio dinheiro? Será que a minha casa vai ser legal, tipo essas de revista de decoração? E… Será que um dia eu vou casar? Nessa onda de um final de semana de cada vez, essa perspectiva parece cada vez mais longe. Porque casar significa encontrar alguém e isso tem uma série de pré-requisitos praticamente impossíveis de serem preenchidos por uma outra pessoa. Mas e se a gente for pega desprevenida pelo tempo que demora para dar um “oi, tudo bem?” e é encontrada por alguém que faz os finais de semana passarem cada vez mais rápido? Aquela pessoa que faz você ignorar o futuro e esquecer dessas perguntas todas. Porque o que importa mesmo é ali, agora. O futuro que espere o tempo que for.
E se você foi encontrada por alguém que faz você inverter as prioridades: descanso durante a semana, trabalho pesado nos finais, fazendo tudo o que aparecer pela frente? E se você resolveu ir de encontro a essa pessoa, ignorando o fato de que o carnaval que já estava planejado há muito tempo, sem ele, vai chegando?
Eu ainda não tive coragem de arriscar respostas para todas as outras perguntas. Para elas, eu tenho só muitos desejos. Mas para essa última seqüência, eu me arrisco em um palpite: toda música acaba, mas isso é razão para não aproveitar enquanto ela ainda está tocando?

Não que seja fácil. Não é. Mas já diria Vinícius: “a vida é pra valer”. E é agora. Dá vontade de pegar leve e aceitar a resposta inevitável daquele “onde isso tudo vai me levar” que não cala a boca dentro da cabeça. Mas por quê? A música ainda está tocando.
E independente das escolhas feitas agora, amanhã, depois, daqui um mês ou daqui um ano, importante mesmo é viver uma vida sem arrependimentos. E a vida não é um filme de 2 horas. Ela acontece a cada segundo que não volta nunca mais.
Aquele medo do que pode acontecer, com a certeza absoluta de que tudo vai dar errado, vem. E vem forte. Ele faz o olho encher de lágrima, o corpo arrepiar inteiro e o estômago ficar gelado. Como se não bastasse, ainda traz com ele uma vontade gêmea de ficar e não pensar em nada. Dormir um sono profundo e só acordar quando a suposta pedra no caminho ficar para trás. Bem longe. Mas viver em função dessa angústia toda nada mais é do que desperdício de tempo. E isso sim leva a lugar nenhum.
Se por um acaso um carnaval for mesmo o fim dessa música, eventualmente outra vai começar. Afinal, alguma vez a nossa vida ficou sem trilha sonora?
Mas se esse for mesmo o fim, eu apostaria uma bola de cristal que em algum momento vai bater um arrependimento de não ter aproveitado mais enquanto ainda dava tempo e tudo parecia um clipe de novela das 9. Então… Enquanto a música ainda toca, aumenta o volume aí, e vai. Sem olhar pra trás. Sem olhar pra frente. Só vai, escutando o que está acontecendo agora.

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