2ª GM em tempo real

Há bem pouco tempo, postamos aqui neste mesmo blog, a História vista pelo Facebook (“Aprendendo História com o Facebook“) – algo sensacional, como já comentado.

Eis que descubro, agora, que o Twitter faz o mesmo (com o mesmo evento, aliás).

Confesso que a princípio, quando comecei a ler a matéria do The New York Times traduzida pela Folha, não compreendi de imediato como é que alguém faria um “live tweeting” da 2ª Guerra Mundial.

Mas, hein, “live tweeting de uma guerra que aconteceu 70 anos atrás?!”? Sim.

O inglês Alwyn Collinson, graduado em História da Renascença em Oxford, começou seu projeto no dia 31 de agosto de 2011, exatamente 72 anos após Hitler invadir a Polônia.

Como funciona:

Ele tuíta em torno de 40 vezes ao dia (tweets programados), com informações a respeito do que acontecia na Segunda Guerra nesse mesmo dia, nessa mesma hora. Por exemplo, enquanto escrevo este post (quinta-feira), em 1939, na Europa, estava rolando a Batalha de Petsamo (Finlândia, invadida pelo exército soviético).

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1º de dezembro de 1939

O que me impressionou foram detalhes, como o horário aproximado.

Com mais de 100 mil seguidores espalhados por todo o mundo, Collinson já vem tendo ajuda. Antes, consultava apenas grandes e confiáveis livros de História. Hoje, com a fama, ele tem recebido diversas colaborações de pessoas que possuem relatos de quem realmente viver a 2ª Guerra.

São diários, trechos e tudo mais que possa ambientar tudo que aconteceu de 1939 à 1945. Se você já leu “O Diário de Anne Frank“, já imagina como era o dia-a-dia de um cidadão comum em um continente em guerra. A adolescente dá, com riqueza de detalhes, informações sobre o medo de serem descobertos no esconderijo, o medo dos bombardeios noturnos, o medo da morte.

Entrada do esconderijo da família de Anne Frank

(E se não leu, vale muito ler.)

As informações de Collinson não são carregadas de sentimento e você não é capaz de se identificar imediatamente com aquilo que está acontecendo (até porque vivemos no Brasil, né gente, o mais próximo que estamos de uma zona de Guerra são nos estádios de futebol). Ele tenta manter a imparcialidade, quase como um narrador de um documentário sobre a 2ª Guerra no Discovery Channel.  No entanto, um de seus objetivos com o projeto é bem esse: fazer com que as pessoas entendam como a guerra foi sentida pela população comum, aqueles que não faziam ideia de como ela terminaria.

Uma coisa legal são os complementos que ele usa, como fotos, gráficos e charges. Por exemplo, uniformes usados na Guerra, como este finlandês (inusitado, por ter sido saqueado de um museu):

Uniformes Charles XII

Para alguém que gosta de história (e acredito que apenas esse público acompanhe por algum tempo a narração) é interessante conhecer novos detalhes e curiosidades. Mas o que fazer quando o ponto forte da ideia é justamente o ponto fraco?

Ponto forte: live tweeting

Ponto fraco: live tweeting

Se o inglês levasse o projeto até o fim, ele ficaria 6 anos tuitando. SEIS ANOS. O próprio Collinson sabe que isso não vai terminar assim. Ele vai perder contato com Hitler e os nazistas eventualmente, só não sabe quando. (E, convenhamos, talvez nem o próprio Twiiter esteja vivo e funcionando em 2017.)

E aqui entra a maior diferença entre a 2ª Guerra no Twitter x 2ª Guerra no Facebook. Enquanto a abordagem no face era divertida e rápida (contada pelos próprios participantes),  a narração no Twitter é em 3ª pessoa e um tanto quanto mais pesada.

Alguns projetos similares já fracassaram e/ou foram abandonados pelo caminho. É claro que a 2ª Guerra envolve mais, tem maior documentação e mesmo mais interessados pelo tema, mas acredito que o fim será o mesmo. De qualquer forma, é um projeto interessante. A forma como as redes sociais têm encontrado novas funções é algo a ser analisado.

Historiadores encaram a experiência positivamente e comentam que é uma maneira válida de atrair a nova geração. Eu até concordo, de certa maneira. No caso do Facebook, acho que convence mais. Já no caso do Twitter, não acredito que vá convencer pessoas que não se interessariam, por exemplo, em ler um livro a respeito do tema. (A vantagem: um livro dividido em 140 caracteres lidos em diferentes momentos do dia.)

Enfim, acompanhar esse twitter (que está sendo traduzido para várias línguas, inclusive o português) é interessante e, em alguns momentos, pode te fazer pensar. Enquanto a gente tá por aqui, de buenas, reclamando do calor e pensando no que vai almoçar amanhã, alguém que poderia ser nosso avô estava escondido, temeroso, ouvindo rádio e sem saber nem se viveria amanhã.

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