O que é Plágio?

Ok, lá vamos nós de novo…

Falaremos brevemente sobre plágio, remake, cara de pau e coincidência (tudo isso dentro do universo da publicidade).

Perambulando por alguns sites vi muita gente comentando que a propaganda da Vivo seria um “remake” do comercial da ATL. Deixando de lado todos os poréns (não têm duração semelhante, uma foi feita pro youtube a outra veiculada na TV aberta, a antiga é uma mulher cantando e a nova é na voz do Renato…), vamos ao que realmente importa:

Em publicidade, caro leitor, “remakes” não funcionam bem assim. Não dá pra compararem com uma regravação do Steven Spielberg, ok? Esse não é um bom argumento para defender o vídeo da Africa. Ou pense comigo: pretendo fazer um remake do épico comercial da Valisère para a Trifil. Dou uma modernizada, encurto o vídeo e tal. Veja bem, um remake do Olivetto, não uma cópia.

Sabe o que vai acontecer comigo?

Eu serei processada, nunca mais vou arrumar trabalho em lugar nenhum, serei criticada porque não tenho ética e tudo mais (de ruim) que você possa imaginar.

Por quê?

Bom, primeiro porque eu não sou ninguém. Eu não tenho o respaldo de uma agência como a Africa e nem uma conta como a Vivo para segurarem as pontas. (E isso conta MUITO. Na publicidade sobrevive dos grandes nomes e da bajulação.)

Segundo porque em pp as coisas são um pouco diferentes… Temos uma disciplina chamada “Ética e Legislação da Publicidade e Propaganda” (ministrada um pouco tarde pro meu gosto, 7º período) na qual estudamos um pouco sobre a questão.

O plágio sempre esteve entre nós e é quase impossível acusar alguém de plagiar e “provar” isso. Será sempre a palavra daquela pessoa que criou (e que pode ser sinceramente honesta) contra os trabalhos similares criados anteriormente. (Talvez seja discutível o fato de não ter havido nenhuma pesquisa a respeito…)

Por isso, dê uma olhada em alguns casos que geraram polêmica (em maior ou menor grau) e veja como é complicado…

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(Tem também o caso das propagadas [iguais] da Skol e da Quilmes, mas que é diferente já que pertencem à mesma empresa… no entanto, o mérito criativo é totalmente dos Hermanos nessa…)

Então, como decidimos se x é ou não plágio? É quase um julgamento pessoal. Mas como dissemos em posts anteriores, você analisa, pensa na dificuldade de se chegar àquele caminho para a propaganda e soma a isso todo o contexto no qual a questão está inserida (às vezes é tão semelhante que você não pode acreditar que seja mesmo plágio, de tão cara de pau… e de vez em quando, é tão igual que não dá pra acreditar que os criadores não tenham usado aquilo como “referência”).

Referência. Outro conceito chave para a nossa discussão. Um bom publicitário é feito de referências. É preciso um background pra poder construir ideias novas e chegar a diferentes conclusões. Mas isso é bem diferente de copiar. (É sempre muita sacanagem copiar o trabalho de um colega profissional – a famosa “chupada” como dizem no ramo. Afinal, quantas vezes você já teve uma ideia super legal que teve que ser descartada depois de saber que “alguém já fez isso”?!)

O que nos traz de volta ao vídeo feito para a Vivo pela Africa. Plágio ou não? (Você do remake, esqueça isso…)

O redator jura de pés juntos que não e ainda se diz triste pela situação. Mas sabe o que é realmente interessante? Pode até ser intriga da oposição e tudo mais, mas dizem por aí que um dos criadores (e diretores de criação) do vídeo “Eduardo e Mônica” da Africa, Humberto Fernandez, trabalhava na Salle’s Darcy (agência que virou a Publicis) em 2002.

(No Linkedin atual dele não dá pra ver essa informação… mas o nosso amigo Google tá sempre aí quando precisamos de uma página em cache [que também sumiu, mas tiramos um print! Há, somos espertos!].)

O que isso tem a ver? O vídeo teoricamente plagiado da ATL foi feito pela Salles D’arcy. Em 2002.

E isso é o que eu chamo de coincidência

(Pode me chamar de cética, eu ando meio descrente com a Publicidade mesmo… Agora você pode tirar suas próprias conclusões.)

Links relacionados:

Publicidade: Plágio, Coincidência ou Referência [by Ciclo de Propaganda] ou Plágio na publicidade? Ou simplesmente Coincidência? [by Brogui] (Perceba a ironia… pesquisando exemplos de propagandas semelhantes, achei o mesmo post em dois blogs. Nenhum deles dá o outro como fonte, mas os exemplos são exatamente os mesmos… Mas aqui é fácil saber qual o original. A postagem do Brogui é de 2007, no entanto o conteúdo do Ciclo, de 2009, também é interessante.)

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