Sobre o caso “Tchecas do Brasil”: Domínios, INPI, CPPB e Hallertau

Ok, resolvi perder alguns bons minutos de hoje para fazer uma pesquisa sobre esta tal cerveja Proibida, da tal CBBP (ontem já comentamos sobre esta piada aqui).

Nada de pesquisar blogs, facebook de gente envolvida, twitter, agendas guardadas sob o colchão ou caixas pretas. Minha pesquisa foi atrás de algo bastante básico: registros. E quando digo registro, refiro-me a dois tipos: registro de marca e registro de domínio (sites). Vamos por partes:

REGISTRO DE DOMÍNIO

Através deste site, podemos verificar quais domínios estão disponíveis para registro. Mais que isso, é possível dar uma espiada em quem registrou aquele domínio que você queria. Pois é, fui atrás do site da Proibida e da tal CBBP. Eis o que encontrei:

O proibida.com.br foi registrado por Maurício Nunes, citado em um comentário no CCSP como autor da campanha (embora sua autoria seja dada a Jader Rossetto na mesmo post do CCSP e, ainda, por um comunicado da CBBP). O domínio está vinculado a uma tal Itaoca Veículos, cujo CNPJ está divulgado no site. Consultando o site da Receita Federal, o Leão me avisa que este CNPJ não é válido. Outro dado interessante, porém não relevante, é que este registro foi feito em março de 2010. Jader trabalha na We Comunicação, e nada encontramos sobre a campanha em seu site institucional.

O cbbp.com.br foi registrado por Felipe Medeiros, com o CNPJ da Cappen Comunicação Integrada (este CNPJ sim, é válido). Mas, se você acessa o ticket  – número ao lado da linha “criado” -, o tal Mauricio Nunes aparece de novo. Este domínio, curiosamente, foi criado em 2008. No entanto, lá no site, não existe sinal de vida (publicações em notícias) anterior a março deste ano. Ah, o CBBP não é citado como cliente no site da Cappen.

Sobre estas pesquisas, fica a dúvida: quem carácoles é Mauricio Nunes?

REGISTRO DE MARCA

Agora sim, vem a parte mais interessante. Estou falando aqui do queridão INPI, Instituto Nacional da Propriedade Intelectual. Exatamente, o órgão das marcas e patentes. Pesquisei o registro das duas marcas lá também.

Proibida: entrem aqui em busquem os processos número 901916846, 901921289, 902872630 e 903205246. A marca, sim, está registrada. Na verdade, o termo correto é publicada, pois o direito de propriedade de marca ainda não foi concedido, o processo está em andamento. O primeiro depósito da marca (início do processo) foi feito em 2009, em um pedido de registro de marca nominativa (somente registro de nome, sem logo). Os quatro processos estão em nome da Hallertau Indústria de Bebidas Ltda. Opa, seria este o nome verdadeiro da CBBP? De acordo com seus dados na Receita, a empresa nasceu em 2007, em Goiânia. Vale comentar que a Proibida, CBBP, Cappen, e tudo que pesquiso traz um local em comum: Pernambuco. Menos, quando falamos da verdadeira quase dona da marca. Bom, aí encontrei que a Hallertau estava com planos de construir algo em PE. Mas que empresa é esta que não possui nem site próprio? Que produtos vende esta cervejaria? Na rápida busca que fiz no Google, só encontrei notícias sobre a empresa. Ainda, não encontrei a palavra Hallertau no site da CBBP. Dos quatro processos que citei, o último, iniciado em dezembro de 2010, busca registrar uma marca mista (nome e logo da marca), e olha só a logo que encontramos lá:

cerveja_proibida_logo_tchecas_panico_cppb
Marca Proibida em registro no INPI

Pois é, acho que não sobra dúvidas que a CBBP é, na verdade, a Hallertau. Isso significa que não é nem Ambev, nem Femsa, nem o caralho a quatro que estão por trás desta zona. Esta marca é (quase) de propriedade desta tal Hallertau perante a legislação brasileira. CBBP pode ser, talvez, o nome fantasia da Hallertau.

CBBP: olha que curioso, a dona da marca Proibida não possui processo de registro de marca no INPI! Isso mesmo, nem o nome nem a logo da CBBP estão registrados ou em processo de registro. Bizarro, não? Ainda, a Hallertau também não possui marca registrada (mal possui presença online, vão querer o que?). Parece que o valioso aqui, o que realmente importa, é a tal marca Proibida. A dona da marca tá pouco fu***** para o registro da CBBP.

Será que uma grande indústria da cerveja pensou que alguém poderia consultar qual empresa registrou a marca Proibida no INPI e, por isso, pediu para uma indústria do ramo (Hallertau) servir como “laranja” e registrar a Proibida em seu nome (para depois vendê-la à dona original, obviamente)? Será que a CBBP na verdade não existe, é uma cervejaria faixada para esta grande empresa? Será? Será?

A verdade é que depois deste texto me cansei do assunto. É muita teoria da conspiração, e pouca informação verídica. Se for de uma cervejaria pequena, fica a falha de que dificilmente terá capacidade para distribuir a cerveja para o Brasil todo. Se for de uma cervejaria grande, fica a dúvida se tanta farsa refletirá realmente em venda ou tudo morrerá no buzz. Um dia saberemos.

Publicado por Tiago Pizzolo

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2 comentários sobre “Sobre o caso “Tchecas do Brasil”: Domínios, INPI, CPPB e Hallertau

  1. Pra mim, não tem conspiração nenhuma. Leia aqueles 3 posts que eu citei no meu post, Ti! Ela fala um monte de coisa que vc tá falando aquI!

  2. Caro Tiago,
    eu sou o Maurício Nunes do seu post.
    Eu fui sócio da Cappen e a CBBP foi minha cliente durante alguns anos.
    Em um brain com Ricardo Rique, tive essa ideia das Primas de Asten: http://www.gogojob.com.br/39671
    Rique imediatamente curtiu, amadureceu a ideia e levamos para o cliente. Rique tinha uma agência, a Casa Comunicação.
    A Cappen cuidava da área digital e a Casa Comunicação era sua agência de publicidade.
    O cliente, CBBP, curtiu bastante a ideia… mas, o lançamento da cerveja atrasou e aconta saiu da Casa e foi para a Ampla.
    Na época, eu fui para a Ampla também, montando seu núcleo digital lá. Trabalhei mais um tempo com a cerveja e logo depois ela atrasou novamente seu lançmento e foi para a We.
    Acredito que agora vai ser realmente lançada.
    O problema é que o cliente nos contou que houve uma coincidência de ideias. Que a We apresentou exatamente a mesma ideia que a nossa e os mesmos roteiros, assim como explica o texto de Rique, só que 3 anos antes da We.
    Enfim, eu registrei tudo para a CBBP, domínio da CBBP.com.br, fiquei responsavel pelo PROIBIDA.com.br e tantas outras coisas…
    Mas, vamos que vamos. Se quiser saber melhor, o meu e-mail está em cima.
    Abraços,
    Maurício

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