Oscar 2011: 127 Horas (127 Hours)

Indicações:
Melhor Filme
Melhor Ator – James Franco
Melhor Roteiro Adaptado
Melhor Edição
Melhor Trilha Sonora Original
Melhor Canção Original
– If I rise

Aron Ralston, engenheiro de formação e alpinista nas horas vagas, decide aproveitar o fim de semana escalando os canyons. Até aí, tudo bem. Mas aventureiro como era, não conta a ninguém aonde ia. Bad idea.

Esse é Aron Ralston, o verdadeiro, enquanto estava lá, preso no Blue John Canyon. A cena, no filme, é exatamente igual, o que sugere que o mesmo cuidado tenha sido tomado em todo o resto do longa.

127 horas começa acelerado, sua tela dividida em 3 mostrando que se você achava que o filme seria parado, estava errado.

O filme também é baseado em um livro, a autobiografia de Ralston, “Between a Rock and a Hard Place”. (Por isso concorre a melhor roteiro adaptado e deve perder para A Rede Social ou O Discurso do Rei.)  Bom, tempo pra pensar sobre o que escrever no livro ele teve de sobra. Foram mais de 5 dias sem poder sair do lugar, vendo o tempo passar, a água acabar e a sanidade diminuir.

Após um começo ‘ok’ no fim de semana de escalada, Aron acaba escorregando em uma pedra e cai com ela por alguns metros. Tudo estaria bem se seu braço direito não tivesse ficado preso entre o paredão e a rocha. Não só ficou preso, mas foi o que prendeu a pedra, tornando impossível movê-la.

Aí começa o martírio. Quando isso acontece ainda falta, mais ou menos, 1 hora de filme. Então, pense comigo… 1 hora sem sair do lugar, contando com um único ator. Tinha tudo pra se tornar 1 hora incrivelmente monótona se não fossem os cuidados do inglês Danny Boyle.

São os ângulos ousados de Boyle, somados à edição acelerada, aos delírios e às lembranças habilmente distribuídos pelo filme, que fazem o tempo correr normalmente. Pontos também para todos os momentos em que o plano é visto através da câmera que o próprio Ralston carregava. Como é sempre “discretamente” mostrado, uma Canon. Aliás, duas Canon. Uma fotográfica e uma filmadora.

O que me faz lembrar os merchans impagáveis do filme. E são váriooos. Além da Canon, destaque pro Gatorade (e as propagandas da Coca, Perrier e afins que passam em sua cabeça no momento de sede extrema) e, claro, pro canivete suíço, que só aparece uma vez mas que tem importância extrema.

Voltando às técnicas utilizadas na tentativa de equilibrar a narrativa, a edição é a grande aliada da produção. Enquadramentos inusitados e ritmos alternados garantem a boa evolução do filme. A trilha não é nada que vá ficar pra eternidade, mas cumpre seu papel. Logo, acho a indicação de edição merecida e vejo chances de ganhar, a de trilha não concordo.

Já a cena que fez muita gente desmaiar/vomitar ao redor do mundo, em alguns momentos, chega a lembrar um pouco House. A ironia do corvo que aparecia pelas manhãs, além do autocontrole, da determinação e da resignação de Aron, como quando ele se prepara para o frio no 2º dia preso, são momentos tão importantes para a narrativa quanto o próprio acidente.

Sobre James Franco, o responsável por manter você olhando para ele no que mais parece um monólogo de 90 minutos, não tem muito o que dizer. Está sensacional. Começa bem, melhora a cada minuto que passa, a cada toque dramático que a situação ganha. Sua conversa com ele mesmo no talk show (boa, edição!) é genial. E é provalmente o que o levou a ser indicado. Acho que ganharia (e mereceria), se não tivesse um Colin no meio do caminho.

Ainda no trailer, você pode ler: “Não há nada mais forte que o desejo de viver”. Eu concordo. 127 horas é o lado bonito dessa história. Mas o outro lado da moeda é Santuário, também baseado em uma história real. O lado feio e imensamente mais triste dessa constatação.

***Se você se perguntou como Aron não desmaiou de dor no tempo que ficou ali, a resposta é simples: nosso corpo é nosso amiguinho. Pois é, nosso organismo está preparado para situações como essa. Funciona assim, assim que nos machucamos, um estímulo da dor chega até o nosso cérebro. Ao perceber que essa dor é insuportavelmente grande, o cerébro avisa a hipófise. Camarada , ela libera endorfina no sangue, hormônio que atua como um analgésico natural através da obstrução da comunicação entre os nervos, impedindo, assim, que os estímulos de dor sigam seu caminho.
E não é só isso. Nossos ossos também estão do nosso lado. Por fora, são rígidos, uma capa compacta. Por dentro, têm uma parte mole e viva (x). E é graças a esse interior maleável que somos duros na queda. O osso é capaz de mudar e se rearranjar para aliviar grandes tensões. Ossos como o fêmur podem suportar compressões de até 1 tonelada antes de se partirem. Você pode se aprofundar no assunto assistindo a Grey’s Anatomy, House ou então lendo de verdade.

Trailer:

Publicado por: Lê Scalia

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