Oscar 2011: Inverno da Alma (Winter’s Bone)

Indicações:
Melhor Filme
Melhor Atriz – Jennifer Lawrence
Melhor Ator Coadjuvante – John Hawkes
Melhor Roteiro Adaptado

Ree Dolly, 17, cuida da mãe e dos dois irmãos mais novos enquanto o pai está na cadeia. Quando ele sai, a situação só se complica e ela é obrigada a passar por obstáculos na tentativa de encontrá-lo e ‘salvar’ sua família.

Inverno da Alma já ganhou prêmios nos valorizados Sundance Film Festival e no Berlin International Film Festival, além de prêmios nos festivais independentes de Boston, Phoenix, San Diego, Seattle e Toronto, entre outros.

Respeito os prêmios e mais as tantas outras indicações. Porém, não é um filme que eu indicaria a um amigo, muito menos ao Oscar. Só que isso é uma opinião minha. Gosto pessoal. Reconheço alguns valores no longa, mas fiquei mais incomodada do que satisfeita.

Vou explicar. (SPOILERS muito diretos)

Baseado no livro homônimo de Daniel Woodrell, o filme fala sobre uma garota de 17 anos, Ree Dolly (Jennifer Lawrence), que cuida da mãe doente e dos dois irmãos mais novos, Sonny, 12, e Ashlee, 6. Não bastassem esses problemas e a pobreza que a obriga a depender frequentemente da solidariedade dos vizinhos, o pai que havia sido preso por envolvimento com drogas é solto e coloca como garantia da fiança a terra e a casa em que vivem os filhos e a esposa.

Determinada a encontrar o pai e apresentá-lo à justiça no dia certo, para que não percam o teto e a única possível fonte de renda, Ree entra pelo mundo das drogas e traficantes. Obviamente não é bem recebida. A audiência chega e seu pai não aparece, assim ela decide encontrar o corpo do pai (que ela deduz, e mais tarde tem certeza, que morreu).

De novo não é bem recebida, mas enche tanto o saco que os envolvidos decidem colocar logo um ponto final na confusão e levá-la até o corpo de seu pai para que ela prove que ele não apareceu por estar morto. No fim das contas, um final relativamente feliz.

O que me incomodou: sei que é algo cultural e que os personagens conversam daquela maneira porque é assim mesmo que eles falam no interior-caipira dos EUA, mas achei meio irritante e, em certas ocasiões, até forçado.

A falta de trilha (ao menos de uma marcante) é algo que pesa pra mim. As únicas vezes em que temos música são canções “country”, quando na cena os personagens estão cantando. Exceto no comecinho do filme.

A minha impressão é de que o conflito que ela vive, entre o mundo de “mãe” carinhosa e preocupada x jovem corajosa e “fora do lugar” no submundo perigoso das drogas não é muito evidente. Ela tem medo e algumas vezes isso é claro, em outras, é como se ela estivesse em qualquer outro lugar, com cara de paisagem. Talvez seja proposital. Talvez seja porque a vida a tenha feito meio ‘dura’.

Mas o que realmente pegou: ela passa por vários traficantes, um mais “perigoso” que o outro. Sério? Sério? Se aquilo fosse no Brasil ela teria morrido e nunca mais teria sido encontrada logo que se meteu pela primeira vez onde não era chamada.

O “mauzão”, Thump Milton (Ronnie Hall), não passa de um Coronel. A única vez em que ela é abusada, sofrendo violência física, é através de uma gangue de 3 mulheres de meia idade. Oi? Aliás, são essas mesmas mulheres que a levam até o corpo de seu pai. Divididas entre matá-la (essa sugestão é posta na roda calmamente quando ela apanha) e ajudá-la, acabam levando-a ao local onde o corpo está. E ainda são simpáticas na hora de tirar o saco que cobria sua cabeça e oferecer uma jaqueta porque estava muito frio.

Essa visão não-maniqueísta dos personagens é boa, não me leve a mal. Eu acho bem válido isso. Maaas acabou me passando a impressão de que não era lá ‘tudo isso’. Que o perigo não assim tão perigoso.

O relacionamento de Ree com a amiga parece ser o mais saudável. E desinteressado. Teardrop, seu tio que até a gangue feminina aparecer havia sido o mais violento com ela, acaba cedendo aos apelos familiares e se torna um apoio para ela na busca. Vale dizer que ele parece o personagem melhor construído e é bem interpretado por John Hawkes. Nada que vá lhe dar um Oscar, mas vai bem.

Outra coadjuvante que também é boa é uma das mulheres Milton, a principal da gangue; sua personagem não tem nome

Ok, analisando assim o filme parece bem melhor do que eu achei. Acho que meu grande problema foi mesmo a questão dos “perigosos traficantes” que não parecem de fato tão malvados assim. Um pouco supervalorizado, talvez?

Não deve ganhar nenhum dos 4 prêmios a que está concorrendo.

Agora, a melhor e mais sensibilizante cena do filme? O momento em que ela encontra o pai. Ali sim, o filme me convenceu. Mas acho que já era tarde demais. Frio como o próprio nome.

Trailer:

Publicado por: Lê Scalia

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2 comentários sobre “Oscar 2011: Inverno da Alma (Winter’s Bone)

  1. **SPOILERS**
    “Acho que meu grande problema foi mesmo a questão dos “perigosos traficantes” que não parecem de fato tão malvados assim. Um pouco supervalorizado, talvez?” Não diria que é supervalorizado, é apenas sugerido. Você pode ver, por exemplo, como todos respeitam e “temem o “coronel” mesmo sem mostrar ele arrancando a cabeça de alguem. Em Inverno das Almas, o espectador é jogado para dentro de um mundo que está em andamento e não preocupam-se em explicar muita coisa. As mulhers não ajudam a menina por serem legais, mas porque mandaram elas fazerem aquilo (provavelmente o coronel) porque era melhor para todos que o corpo do pai dela fosse encontrado.

  2. Sim sim, isso eu entendi. Mas o fazem com relativa boa vontade 🙂
    Quando falei sobre a supervalorização eu me referia ao filme em si, como um todo. Mas valeu o comentário!

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