Super Bowl XLV – O jogo

Quem acompanhou o Biscoitos essa semana percebeu que o Super Bowl foi tema recorrente – nem poderia deixar de ser. Segundo alguns sites e agências internacionais, a audiência foi a maior da história da televisão americana, superando o recorde anterior do Super Bowl XLIV, ano passado. De acordo com a Reuters, a média de audiência foi de 111 milhões de espectadores nos EUA, com o pico máximo de 169 milhões.

O troféu Vince Lombardi, este ano foi disputado pelo Green Bay Packers e pelo Pittsburgh Steelers. (Foto: Getty Images)

Não foi só isso. O SB também bateu um recorde no Twitter. Segundo o portal de tecnologia da UOL, ele passou a ser o evento esportivo mais comentado na rede virtual de microblogs – ultrapassando o recorde Copa do Mundo de 2010. Nos picos, perto do final do jogo, o Twitter chegou a contabilizar mais de 4 mil tweets por segundo, bem mais do que foi registrado no recorde da Copa do Mundo (um jogo entre Japão e Dinamarca, em que o Twitter contabilizou, nos picos, 3 mil tweets por segundo). O Japão, aliás, detém esse recorde fora do mundo dos esportes: na virada deste ano no Japão, o Twitter registrou mais de 6900 tweets por segundo sobre o assunto.

Pois bem, fora isso, Super Bowl é Super Bowl, com várias celebridades no estádio (de cabeça, lembro de Cameron Diaz, John Travolta, Jennifer Aniston, e aquele cara que parece o Nino do Castelo Rá-Tim-Bum… tá, desculpa hehe), show no intervalo (só ouvi falar mal, mas achei mó legal o Slash aparecer do nada), e ingressos nas áreas laterais do campo a mais de 10 mil dólares. Também não é disso que quero falar.

Quero falar do jogo.

O futebol americano que ainda carrega muito preconceito aqui nas bandas tupiniquins. Vi várias pessoas falarem no Twitter: “agora todo mundo, de repente, é fã de futebol americano”. Duas coisas. Ninguém precisa conhecer toda a história, estudar cinco anos e vencer um Super Bowl no Madden 11 pra Xbox 360 (alô você, to aceitando um desse!) para gostar de futebol americano. É esporte, pô, entretenimento. Se alguém nunca viu, ligar a TV e estiver passando um jogo, ele pode muito bem gostar um pouco e comentar no Twitter dele. Que saco. Outra coisa é o seguinte: não é de repente que o futebol americano se tornou “popular” no Brasil. Já existem vários e vários times por aí, muitos se profissionalizando em parceria com times de futebol normal. Aqui em Curitiba, o Coritiba foi o primeiro clube a fazer isso, se juntando com o antigo Barigui Crocodiles:

Pois bem, vamos ao jogo. Green Bay Packers 31 x 25 Pittsburgh Steelers. Entendo alguma coisa de futebol americano, pouca, é verdade, por acompanhar a NFL há cinco anos, já. Mas o que eu posso falar é que os dois times tinham uma coisa fundamental para ser bem sucedido na pós-temporada da liga: camisa. Claro que vez ou outra surge uma zebra aqui e outra ali, mas é raro. Fora isso, o Steelers é o maior campeão de Super Bowls da história: 6. O Packers é o maior campeão da história da liga, com 12 no total (o SB está na edição 45, então, façamos as contas). De qualquer forma, a história recente dos dois times é diferente.

O Steelers vem de uma década muito boa para a franquia. Dois títulos de SB sob o comando do Quarterback (QB, o cara que lança a bola e é a cabeça do time de ataque, simplificadamente) Ben Roethlisberger (esse seria o terceiro em seis anos). E nos últimos dez anos, ninguém pode me culpar de exagero ao falar que a defesa do Steelers sempre esteve entre as cinco melhores da liga. Liderados pelo inacreditável Troy Polamalu (Safety, o jogar que fica lá atrás, na cobertura, e que fez um seguro de um milhão de dólares nos seus cabelos), a defesa do Steelers é assustadora. Pra simplificar, olhem uma foto do Defensive Tackle (DT) Casey Hampton:

Sério, esse é ele. Tenso. Mas é um monstro enorme dentro do campo. (Google Images)

 

Troy Polamalu, o cara do cabelo de um milhão de dólares. (Foto: Reuters)

O Packers, por outro lado, vem de uma reconstrução. Por 15 anos, um cara chamado Brett Favre foi QB do Packers. Você já ouviu falar desse nome: ele detém quase todos os recordes possíveis para a posição: jardas conquistadas, passes para Touchdown (TD), interceptações (INT), enfim. Acontece que na temporada de 2008 ele saiu, e quem entrou no seu lugar foi um outro cara chamado Aaron Rodgers.

Na época, a substituição dividiu torcida e analistas: poderia um reserva comum substituir o legendário Favre? Hoje, ninguém mais se pergunta isso. Rodgers é simplesmente sensacional em pós-temporada (na temporada normal, também, mas especialmente nos playoffs). Ele já fez isso ano passado, mas esse ano foi demais. Pra citar um exemplo, na segunda partida dos playoffs desse ano, contra o Atlanta Falcons, ele acertou 31 de 36 passes tentados, fez 366 jardas aéreas, 3 TDs e 1 TD corrido, sem nenhuma interceptação. Isso pode ser comparado a um jogador de soccer fazer 4 gols, 2 assistências e defende um penâlti, no mesmo jogo. Perfeito. Isso tudo pra não falar da defesa do Packers, que também é muito boa.

Então, quanto ao jogo. Falei no começo que tava com cara de 28 x 24 pro Packers. Tinha certeza que esse placar se confirmaria quando o primeiro acabou 21 a 3 para o Packers. Porém, Big Ben teve um atuação meio que desastrosa (2 INT num SB é difícil virar), a defesa do Steelers não funcionou tão bem quanto costuma. Do outro lado, o Packers, liderado pelo Rodgers, jogaram seu football consistente, eficiente, limpo, protegendo a bola. Irrepreensíveis, praticamente. Tudo isso depois de uma temporada com 16 titulares machucados (sim, 16, titulares).

O QB Aaron Rodgers e o LB Clay Matthews comemoram o título do Packers (Foto: Brian Snyder, Reuters)

O QB do Packers acabou sendo o MVP (most valuable player) de maneira muito justa e até simbólica. Com ele, o Packers volta ao primeiríssimo escalão da NFL depois de 13 anos meio que na seca.

Neste link você vê os melhores momentos do Super Bowl XLV:

Quem quiser se inteirar sobre football, recomendo dois blogs: o do Paulo Antunes, comentarista do futebol americano na ESPN brasileira, e o do Danilo Muller.

E aí, quem viu o Super Bowl esse ano? O que acharam? Pessoalmente, já vi jogos de football mais emocionantes, mas, como já disse. Super Bowl é Super Bowl.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s