Violência no Corinthians

Na manhã desse sábado de sol, 05 de fevereiro, a torcida corintiana compareceu ao CT Joaquim Grava para pressionar um pouco mais o já pressionado time.

Conforme esperado, foi um caos. Algumas centenas de torcedores, polícia, pedras, faixas e gritos. Eu apoiaria isso caso não houvesse violência. Mas como sempre, quando envolve paixão demais, a coisa passa dos limites.

Na sexta, uns 20 integrantes de torcidas organizadas jogaram champagne pela grade e brigaram com Ronaldo. Até aí, pra mim, tudo ótimo. Acontece que hoje não foi assim. O ônibus com a delegação corintiana foi recepcionado com gritos de protesto e chuva de pedras.

Eu não acho que agressão seja a saída. Nem acho que medo possa gerar respeito. Não o respeito que nós queremos, pelo menos. Mas acho que a torcida teria, a princípio, todo o direito de protestar.

Parte dos jogadores (e pior, de funcionários) tiveram seus carros quebrados num caso meio obscuro, de acordo com o Lance!. Pra mim, tendo sido encomendado é ainda pior, porque mostra a podridão dos cartolas nesse jogo de poder. E se foi a torcida, já estavam passando dos limites.

Que jogador quer ir a campo com medo? Queremos jogadores que honrem a camisa do Corinthians por respeito e amor. Que tenham raça porque reconhecem que isso é o necessário. Não queremos ninguém correndo em campo por medo. Não acredito no “ou joga por amor, ou joga por terror“.

Mas no Corinthians isso não é algo novo. Se formos sinceros, podemos ver que a torcida tem sido paciente demais para os padrões corintianos… algo assim já poderia ter estourado em 2010 várias vezes. Se formos mais exigentes, poderia ter estourado em 2009 quando o time usou o campeonato brasileiro de treino.

Mas lá tínhamos o Mano. E acho que era ele, acima de todo o resto, que mantinha as coisas no trilho. A torcida gostava dele e confiava nele. Acreditava que o melhor estava sendo feito…

Agora voltemos à situação atual. Foi só a saída ridícula e vergonha da Libertadores? Não foi sair. Foi como saiu. No entanto, não é só isso. A revolta corintiana vem acumulando fatos. E embora como corintiana eu saiba disso, quem me lembrou os abusos que terminaram com a confusão de hoje foi a @subversiva. (A subversiva é uma blogueira corintiana, seu blog, o eneaotil é muito bacana a propósito)

Ela falava alguns pontos que prefiro copiar:

“Violência é uma inflação de 150% em ingresso. É salário de um milhão e meio pra não querer jogar. É meter a mão no nosso bolso.” /@subversiva

“Violência é jogo acabar depois do horário do último busão sendo que no dia seguinte tem que trabalhar. Violência é a cartolagem desse país.” /@subversiva

Sobre isso, eu concordo inteiramente.

Obviamente que eu não acho que o resultado dessa violência seja justo. Não acho que violência deve gerar violência. Muito menos se acaba do jeito que estamos vendo, com pedras, spray de pimenta e gás lacrimogênio.

 

Acho isso tudo muito triste. Mas os pontos ressaltados por ela são reais. Ingressos para os jogos do Corinthians, pra arquibancada, são frequentemente muito altos. Já pensou em pagar 50 reais pra ir ao Pacaembu? Isso é inadmissível. Principalmente pra quem se mata de trabalhar por um salário mínimo e que vai ao estádio toda semana, faça chuva, faça sol.

E enquanto a torcida faz isso, o marketing (que tantas vezes acertou) tem sempre desculpas prontas para explicar as derrotas. O time não se esforça e o pior na situação é que eles acham que são maiores que o Corinthians. O Ronaldo pelo menos tem achado que é.

Novidade pra você, amigo: você não é. E a reação das organizadas na manhã de hoje provou isso. Enquanto você respeitou o Corinthians, a torcida respeitou você. Ninguém é intocável quando desrespeita o outro. Nenhum amor é unilateral.

E isso vale principalmente para os cartolas. Andres começou bem, reergueu o Corinthians e deu projeção internacional ao Timão. Trouxe Ronaldo e, com ele, patrocínios recorde. Promete o tão querido estádio, mas sabemos que ele quer mesmo, mais que uma casa, a abertura da Copa.

Mas de novo, é mais um que pretender ser maior que o Corinthians. E no final, isso não dá certo. Sobrou pra ele também. Falta de respeito e ingratidão, é isso que a diretoria corintiana demonstra com seu torcedor fiel e apaixonado.

E isso justifica as pedradas e a reação violenta? Claro que não. Reagir assim, pra mim, continua sendo coisa de bandido. Mas quando você olha o contexto, coloca a paixão no meio e analisa, percebe que não foi só uma saída vexatória da Libertadores que levou a isso. Percebe que o torcedor equilibrado tem toda a razão em protestar sem violência. Afinal, a eliminação foi só a gota d’água.

Amanhã tem mais Corinthians. No campo ou fora dele.

#VaiCurintiá.

Publicado por: Lê Scalia

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6 comentários sobre “Violência no Corinthians

  1. Ah, eu sinceramente acho que as pessoas têm motivos mais graves pra protestarem, HAUHAUHAUHA! Podiam se reunir e tacar pedra nos políticos que reajustaram em mais de 60% os próprios salários, por exemplo… HAUHAUHAUHAUHA! Eu ajudaria!

    Beijinhos!

  2. Fia, o ponto é NÃO tacar pedras hahahahahaha
    claro q tem motivos melhores, mas ngm mexe o povo como o futebol…

  3. Não gosto de futebol e acho que nunca vou gostar, mas o que “alguns” torcedores do corinthians fizeram talvez seja culpa da própria administração do time e do poder público que permite que a política do “pão e circo” acabe tornando-se um espaço para espressar o amor e ódio. Quantas vezes isso ja ocorreu, não apenas com o Timão, mas também com outros times. Quantas torcidas organizadas foram dissolvidas por promoverem a violencia ou permitir que seus associados pudessem promove-la? Pelo menos eu ainda não ouvi falar. Tenho um filho de 6 meses de idade, nunca espero leva-lo a um estadio de futebol, não porque não gosto de futebol, pois também não pretendo leva-lo a outros lugares que também não os considero seguros e que um dia ja frequentei. Infelizmente essa atitude de “alguns” torcedores é apenas mais uma das tantas que ainda virão.

    1. É complicado, né?
      Demais. Eu adoro futebol mas sempre fico apreensiva de ir ao estádio. Mas vou nos jogos do interior, que é mais tranquilo… mas é realmente uma situação difícil. Acho que a primeira medida seria fiscalizar os integrantes das organizadas e punir, não deixar fazer o que quiser.
      Valeu o comentário 🙂

  4. Ai, gente… Deprê.
    Mas, com a vc falou, lê, em se tratando da nossa torcida, demorou.
    Concordo com tudo o que vc falou, gata.
    O maketing sempre acertou, as campanhas da F/Nazca foram PERFEITAS e eu realmente acho que elas ajudaram a acalmar os ânimos e, claro, junto da “Nação Corinthiana”, com passaporte, direito a voto e tudo mais, tínhamos um comandante a altura. Eu sei que o mano não fez a melhor história da história do corinthians, mas só no que diz respeito a títulos. Todo o resto, que é o q realmente importa – de respeito aos jogadores, amor a cima de tudo à camisa, confiança no que está sendo feito em equipe e fazer o time jogar com cara de corinthians – foram méritos dele. Só podia chamar Mano, mesmo.

    E é verdade, né, lê… Futebol nunca vai ser só futebol. Pelo menos não no Brasil.

    exceleeeente post, gata! 🙂

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