#sosserra

Curitiba, cidade que abriga esses blogueiros, é uma cidade planejada, localizada em uma região pouco problemática. Assim sendo, mesmo com muita chuva durante o ano inteiro, não apresenta desastres ou problemas urbanos como os que viram notícia no Sudeste do país todo janeiro.

São Paulo alaga e o paulistano divide seu dia entre “antes e depois” da chuva. O interior do estado sofre mais, tanto com as enchentes quanto com deslizamentos. Minas Gerais tem cidades inteiras embaixo d’água. Em Pouso Alegre, sul mineiro, as pessoas estão se locomovendo de barco (literalmente).

Mas o caso de destaque atual é o da região serrana do Rio de Janeiro, que já se tornou o maior desastre natural da história brasileira.

O Brasil não é o Haiti, país mais pobre da América. O Brasil tem uma das 10 maiores economias do mundo e, portanto, uma situação como essa torna-se inadmissível. Principalmente quando tem data marcada e sabemos que pro ano que vem tem mais.

E não dá pra dizer que isso acontece no interior remoto do país e que há um descaso com a região.

A tragédia tomou lugar, em especial, no Rio de Janeiro. Sede das Olimpíadas de 2016. Não pretendo entrar, aqui, nos méritos de dizer que o dinheiro usado para os jogos olímpicos seria usado para resolver essa situação, porque não iria.

O ponto que eu realmente tenho é que o dinheiro existe. Até porque o brasileiro é um dos povos que mais paga imposto no mundo (e deve ser um dos que menos vê um resultado eficaz desse imposto). Então por que não tomar uma atitude? Tomar medidas preventivas, realocar essas famílias, construir moradias populares e dar mais do que segurança pra essas famílias, mas um lugar digno pra morar é tão impossível assim?

Não é. Mas é algo trabalhoso, caro e a longo prazo. Mas isso não muda o fato que não é possível encararmos essa mesma situação todo ano. Não dá nem pra imaginar como se sente alguém que perdeu além da família, tudo que tinha, e que não tem nem por onde recomeçar. É inconcebível a dor de ter que cavar a cova dos próprios familiares.

E esses efeitos não vão passar agora. Vão continuar durante muito tempo. E embora as doações sejam muitas (e, claro, necessárias) agora, dentro de umas duas semanas a mídia vai encontrar outro assunto pra falar e a gente vai acabar se esquecendo de tudo isso. E essas famílias vão continuar lá, nos abrigos. Sem roupa, comida, teto ou qualquer outra coisa que tenha ficado na casa.

Por isso, esse post é só um apelo. Um pedido pra nós, que estamos seguros e felizes em casa, para que possamos doar alguma coisa. Qualquer coisa (até sangue). E não só essa semana, enquanto ficamos sensíveis com histórias como a da Dona Ilair, que já com mais de 50 anos, agarrou-se a uma corda e se jogou com seu cachorrinho no rio para tentar se salvar.

Essas pessoas vão ter que superar não só a dor e o trauma, mas todas as dificuldades materiais que ainda vêm por aí. Então, doe. Se você não mora próximo, não pode ser voluntário ou não tem como levar uma contribuição não tem problema. Afinal, não precisa nem sair de casa. Bancos como o Banco do Brasil, o Itaú e a Caixa criaram contas que recebem doações em dinheiro.

Enquanto isso, algumas empresas mostram em forma de ação o que é compromisso e responsabilidade socioambiental. Não basta só dizer isso na “missão, visão e valores”. É quando algo assim acontece, que vemos quem é que faz o que. Uma empresa de telefonia está instalando telefones para os desabrigados comunicarem-se com as famílias e diminuir a aflição entre os dois lados. Tudo de graça.

O Grupo Pão de Açúcar está recebendo donativos em todo o estado de São Paulo e também do Rio.

A Fundação Vale abriu uma conta para ajudar os desabrigados. A cada R$ 1,00 doado, a Vale doa R$ 2,00. Aí sim! Além disso, a empresa vai doar cestas básicas e itens de saúde, como doses de vacina.

É essa a postura correta de uma grande empresa. Mesmo que você não esteja realmente solidário com os acontecimentos ou algo assim, são ações como essa que realmente solidificam a imagem de uma marca junto ao público. Ou você acha que todos aqueles desabrigados que finalmente conseguirem falar com suas famílias não serão eternamente gratos à empresa de telefonia que proporcionou isso?

(E aí, Guaraná Antarctica, vamos consertar o estrago que o BBB fez? Isso sim é um lugar pra você gastar milhões. Dê colchonetes com a marca estampada. Muito melhor do que ter seu produto xingado ao vivo. E pagar por isso.)

E, de quebra, elas estão fazendo o bem. E realmente não importa o que motivou isso. No fim das contas, estão ajudando e isso é o importante.

E quanto a você, morador de Curitiba, que tem o privilégio de morar em uma cidade de primeiro mundo, a Cruz Vermelha está recebendo doações. Aliás, a Cruz Vermelha recebe doações por todos o país e através de conta bancária no Banco Real também.

Aliás, já que falamos sobre doações, os jogadores do Flamengo farão um jogo beneficente e pagarão o transporte do que for arrecadado. Ótimo, já é um começo. Mas se o Ronaldinho Gaúcho escolheu o Rubro-Negro e adotou o Rio de Janeiro, que tal doar um salário pra essas vítimas? Vai lá, amigo, 1 milhão pra quem vai ganhar 100 milhões nos próximos 4 anos não é nada. Então, abraça o Rio, Ronaldinho.

(Você também pode ajudar pelo PEIXE URBANO, até o dia 21, colaborando quantas vezes quiser com compras de R$ 10,00, que serão repassadas à ONG Move Rio, através do projeto “Rio Eu amo/Eu cuido”. Basta clicar aqui. Até agora já foram vendidos 3351 cupons.)

Links relacionados:

Cruz Vermelha no Brasil
Doações prioritárias (o que doar [comida de preparo fácil])
Como e onde doar, em todo o país
Fotos UOL
Ajuda do esporte
A história do cachorrinho da foto (que cavou até achar os donos)

Publicado por: Lê Scalia

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8 comentários sobre “#sosserra

    1. Quase morri com ele 😦
      Tem umas ONGs recebendo doações pra cuidar dos animais tbm… meu, que DÓ!!!
      Parece tbm a propaganda de Doação de órgãos. lembra?

      1. é, lembra tb! hehehhee
        olha, fui até buscar pra ver de novo… é igualzinho uahuahauaha

  1. ÓTIMO post, Lets! Concordo plenamente, se cada um de nós doar um pouco que seja, esse pouco vira muito e pelo menos minimiza PARTE da dor que esse povo tá sentindo… Mas, por outro lado, não é suficiente. O ideal seria que o governo investisse em habitação de qualidade em locais seguros para toda essa população que vive o MESMO drama todo ano, na mesma época, sempre. A culpa não é só das chuvas, e ninguém mora em área de risco porque quer, não existe desculpa… Se fosse a família de algum político sendo enterrada no quintal de casa, tenho certeza que essa realidade mudaria rapidinho…

    E esse Brasil de gente tão otimista, alegre e solidária contrasta com esse Brasil de desigualdade social, ganância e corrupção…

    Triste!

  2. Eu não consigo nem assistir jornal mais, é tanta desgraça que eu me sinto mal de ver, de ver tudo aquilo acontecer e a sensação que fica é a de impotência nas mãos, saber que um governo gasta milhões com despesas de deputados e nunca é o suficiente para eles, vc paga impostos a rodo e o retorno disso nunca é o esperado. Saber que é sempre na mesma epóca do ano que a chuva intensa ocorre Janeiro/Fevereiro, que peloamor de qualquer coisa, a região serrana sempre foi area de risco e sempre será, o homem desmata a natureza devolve mas enfim, será que é tão absurdo pensar numa tecnologia, num sistema que previna esses desastres? Prever a natureza é realmente dificil, mas existe tecnologias que minimizam danos as pessoas quando alertadas em um certo período de antecedência(Ex: Austrália). Existe a questão de moradias ilegais, mas q o governo por “facilidade” deixam eles ficarem lá pq é mais fácil do que fazer casas descente para todos, enfim, o buraco é muito mais fundo do que parece, a história é tão antiga, mas pelo jeito o governo adora um remake todo começo de ano.

    Então, ajude da forma que puder, é a melhor maneira porque realmente parece situação de guerra.

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