Minda-Au – Marcio Renato dos Santos

Escrevi esse texto primeiro para o Jornal Comunicação, lá da UFPR. Ele saiu no mês passado, aqui, com o título “Histórias de um curitibano”. Dias depois, o próprio Marcio colocou o texto no blog que ele montou para o livro, com o mesmo nome. Segundo o autor, o texto que segue “é simpático, com muita bossa”. Me dei o direito de editar novamente, mas lá vai.

Lá no fundo, Marcio. Aqui no primeiro plano, de costas, equipe do BSortidos (Eu, Gabi, Lu, Le que não apareceu na foto). Foto do blog do autor.

“Quem disse que livros de contos não têm personagens principais, provavelmente errou. Marcio Renato dos Santos, 36, jornalista curitibano, desmente a afirmação duplamente: o recém-lançado “Minda-Au” (Record, 2010, 84 págs) é uma coletânea de contos notadamente autobiográficos. Além disso, outro personagem é central nos sete contos que compõe a obra: a cidade de Curitiba.

Minda-Au foi, conforme o autor explica na apresentação do livro, das primeiras palavras que proferiu – uma referência a um dromedário que habitava um quadro na casa de sua avó. “A partir de Minda-Au eu comecei a me tornar Marcio Renato dos Santos”, escreve o autor.

A partir daí, fica bastante clara a inspiração biográfica do livro. A segunda narrativa, “A Guitarra de Jerez”, por exemplo, conta a história de uma guitarra que é fatal a todos que a tocam e que jaz, agora, na sala do narrador. A dúvida de tocá-la ou não perpassa o conto – Marcio admitiu, na seção de lançamento do livro, na quarta-feira, 10 de novembro, nas Livrarias Curitiba do Shopping Estação, em Curitiba, que deixou o hábito de tocar guitarras há algum tempo. O conto derradeiro do livro, “Ali, Agora”, também trata da relação do autor (ou do narrador?) com quem ele chama de “mestre”. Marcio teve uma relação de bastante afinidade com Jamil Snege, escritor curitibano que faleceu em 2003.

A melhor história do livro, entretanto, é “Pra quem busca uma nova vida (ou Cinco meses em Porto Alegre”, que traz a Curitiba para o plano central. No conto, o personagem narrador fala do tempo em que passou longe da cidade – e como isso afetou sua capacidade de escrever. Diz o autor, no livro: “Não consigo iniciar uma frase em Porto Alegre. Não tentei. Mas me sinto incapaz. Ao menos leio. Os jornais. E os autores gaúchos. Dos clássicos aos contemporâneos. […] Estou em Porto Alegre mas parece que não”.

Também nesse pequeno trecho se percebe uma característica contínua na linguagem de Marcio: as frases curtas. Talvez herdadas do estilo direto do jornalismo, elas dão o ritmo que o autor deseja. A exceção é o conto “De Teletransporte Nº 2”, em que ele faz justamente o contrário: frases muito longas, sem nenhuma pontuação. Outro objetivo cumprido, outro ritmo.

Marcio Renato Dos Santos (foto do blog do autor).

Outra ferramenta utilizada pelo autor é o fluxo de linguagem que mescla, na história, a realidade com o sonho. Tanto em “De Teletransporte Nº 2” quanto em “O Espírito da Floresta” o autor confunde – da maneira saudável – o leitor nesse sentido. O que se narra é a realidade ou apenas o mundo onírico do personagem?

No encontro do dia 10, em Curitiba, Marcio também comentou que ainda não havia lido o livro depois de publicado. Para ele, o processo de publicação ainda não foi digerido. “Algo que eu guardava só pra mim, agora reunido e podendo estar por aí, em qualquer lugar do Brasil… é muito estranho”, revela. Isso sugere a relação entre um pai coruja e o filho que sai para as suas primeiras festas – e este, que ainda tem um futuro a trilhar, parece ser um retrato fiável da carreira literária do estreante Marcio Renato dos Santos”.

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