10 Dias que Abalaram o Mundo – John Reed

Comecei a ler “10 dias que abalaram o mundo” com um pé atrás. Preconceito burro. Sorte que comecei a ler, pelo menos. 400 páginas de um livro de bolso depois, não me arrependo nem um pouco.

John Reed, o próprio.

John Reed nasceu em 1887, em Portland, nos EUA, e morreu na Rússia em 1920, antes de completar 33 anos. Não por isso, fez carreira no jornalismo do início do séc. XX, que todos sabem que se distanciava mais do que hoje do que a gente chama de “imparcialidade”. Militante comunista, Reed cobriu a Revolução Mexicana entre 1911 e 1914, e a Revolução Russa de 1917 – o que rendeu “10 dias que abalaram o mundo”, considerada a primeira reportagem moderna.

As muralhas do Kremlin e o mausoléu de Lênin. John Reed foi o único ocidental a ser velado ali.

 

Imagem histórica do funeral de Reed.

O livro é um relato intenso dos dias que culminaram a Revolução Bolchevique na Rússia. O convívio com Lênin, Trotsky, Tchernov, outras lideranças, e com os operários, camponeses e soldados que estabeleceram o primeiro regime socialista da história municiaram Reed a traçar um quadro bastante preciso do clima que imperava na Rússia – especialmente em Petrogrado (hoje Leningrado, então capital do país) e em Moscou. Algumas coisas me chamaram atenção, e foi uma baita lição de história para mim. Vou tentar resumir.

A primeira, talvez a mais marcante, foi a de que a Revolução Bolchevique não foi fácil, nem idealizada – flores não caíam nos Congressos a cada discurso apaixonado de Lênin e de Trotsky. Pelo contrário, havia uma oposição forte e violenta ao Partido Bolchevique na Rússia. Ainda havia movimentos monarquistas (já fracos, é verdade), muitos movimentos burgueses (entre outros, os cadetes), e uma grande oposição socialista moderada. Esta última incluía o Partido Socialista Revolucionário (dividido entre esquerda e direita), os mencheviques (membros do Partido Operário Social Democrata Russo, assim como os bolcheviques) e outras organizações que defendiam a Revolução, mas não uma “ditadura do proletariado” como faziam, intransigentemente, os Bolcheviques. A Revolução de Novembro, dos Bolcheviques, não foi unânime.

 

Vladimir Ulianov, o Lênin.

 

Bolcheviques marcham na Praça Vermelha após a vitória. A revolução, embora não unânime, foi legítima.

Outra coisa que aprendi foi bastante simples, na verdade, embora fundamental para entender a Revolução. O significado da palavra soviete. Como Reed explica no prefácio, sovietes eram organizações sócio-políticas que existiam nas províncias da imensa Rússia, controladas por operários, soldados e camponeses. O lema da Revolução bolchevique sintetizava tudo muito bem: “Todo o poder aos sovietes!”. Claro que havia sovietes que não eram partidários dos bolcheviques, mas era essa a política.

Por fim, é bastante interessante acompanhar o desenvolvimento de uma Revolução política. Ela já havia acontecido, em Março, mas o Governo Provisório de um sujeito chamado Kerensky estava levando a Rússia a passos largos para o buraco. Vem então, o partido bolchevique, com a liderança enérgica de Lênin e Trotsky e toma o poder. Engana-se quem acha que esse processo é simples e indolor.

 

O Smolni foi o centro dos trabalhos do Partido Bolchevique durante a Revolução de Novembro.

O próprio Lênin escreveu uma introdução ao livro.

“Com imenso interesse e igual atenção li, até o fim, o livro 10 dias que abalaram o mundo, de John Reed. Recomendo-o, sem reservas, aos trabalhadores de todos os países. É uma obra que eu gostaria de ver publicada aos milhões de exemplares e traduzida para todas as línguas, pois traça um quadro exato e extraordinariamente vivo dos acontecimentos que tão grande importância tiveram para a compreensão da Revolução Proletária e da Ditadura do Proletariado. Em nossos dias, essas questões são objeto de discussões generalizadas, mas, antes de se aceitarem ou de se repelirem as idéias que representam, torna-se necessário que se saiba a real significação do partido que se vai tomar. O livro de John Reed, indubitavelmente, ajudará a esclarecer o problema do movimento operário internacional.

V. I. Lênin – Fins de 1919″

Em 1981, Warren Beatty dirigiu Reds, filme sobre a vida de John Reed, indicado a 12 Oscars. Ainda não vi, mas pretendo muito em breve.

Vale muito a pena ler “10 dias que abalaram o mundo”. Uma baita lição de história.

*Imagens via Google Images

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6 comentários sobre “10 Dias que Abalaram o Mundo – John Reed

  1. O autor deste panegírico ficou a saber mais de história mas não aprendeu a conjugar o verbo haver…
    Para seu conhecimento, este verbo é impessoal e a forma “haviam” não existe! Pelo menos em Portugal… no Brasil é capaz de ser diferente!

    1. Engraçado.

      Eu realmente espero que você tenha menos de 14 anos, por que demonstrar tamanha ignorância em plena internet só pode partir de uma criança.

      Realmente, conjuguei o verbo “haver” da forma incorreta, falha minha, se tivesse revisado o texto mais de uma vez, provavelmente teria notado.

      Agora o senhor português se dispor a comentar no blog para despejar sobre nós tamanho preconceito e ignorância, realmente, é algo de se espantar.

      Em que século você vive? XVI? Ah sim, porque naquele tempo portugueses vieram ao nosso país e ensinaram ao mundo como NÃO colonizar um território. Fora isso, desde muito tempo a nação brasileira já detém maior e mais destacada participação na política, cultura, economia, enfim, em qualquer aspecto humano, no cenário internacional, do que o seu país.

      Agora, ironicamente alegar que os brasileiros não sabem escrever, aí, meu filho, espero que você conheça algo de Carlos Drummond de Andrade e Machado de Assis, só pra citar os dois maiores, que provavelmente são os únicos que você já ouviu falar (ou não).

      Realmente espero que você ainda aprenda muito com as babaquices que eu TORÇO BASTANTE que não existam mais nos países europeus.

  2. “Em que século você vive? XVI? Ah sim, porque naquele tempo portugueses vieram ao nosso país e ensinaram ao mundo como NÃO colonizar um território.” Sábias palavras Sobota kkkkkkkkkk ri demais nessa parte, português babaca. Nunca ouviu falar em variações linguísticas. Ah! o livro é muito bom mesmo, recentemente o li para um trabalho da faculdade. (Só pra não dizer que não comentei sobre o assunto principal) kkk

  3. Muito bom teu trabalho e boa tua resposta! Este livro foi, possivelmente, o melhor que li sobre uma revolução e sobre uma luta inteira, ideológica e militar. Tem coisa boa também no livro Russia na Guerra-Alexander Whert, se o nome está correto. E achei um trabalho de um grupo de estudantes no YOUTUBE espetacular, sobre OS 10 DIAS.

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