Dois Irmãos – Milton Hatoum

Essa discussão política está meio que me cansando. Sou tarado por uma discussão, mas o nível dessa campanha está caindo mais e mais. Até surgiu a hashtag #aiatolaSerra para definir o candidato tucano.

Por isso, resolvi falar da minha outra paixão temática, hoje. Literatura. Não sou lá grande entendedor, mas já li alguns livros. O último, de ficção, foi “Dois Irmãos”, do Milton Hatoum.

Milton Hatoum, brasileiro.

O Hatoum é daqueles caras que você olha e pensa “tá, certo, se um dia eu for ser alguém, quero ser igual a ele”. Nascido em 1952, em Manaus, é formado em Arquitetura e Urbanismo pela USP. Trabalhou como jornalista cultural e professor universitário, estudou literatura nos anos 1980 em Barcelona, Madri e Paris. Já ganhou tudo que é prêmio americano em relação a ensino, e hoje escreve para o Caderno 2, do Estadão. A biografia completa tá no site dele, vale a pena dar uma olhada. É contribuição cultural e literária para tudo que é país do mundo.

Bem, “Dois Irmãos” é um romance escrito em 2000, vencedor do Prêmio Jabuti do ano. O livro também foi eleito o “melhor romance dos últimos quinze anos”, em 2005, por uma pesquisa feita pelos jornais Correio Braziliense e O Estado de Minas. Dá para ver que ele não precisa de mim para dizer que é simplesmente fantástico.

O romance conta a história de uma família de descendentes diretos de libaneses que fixa residência em Manaus. O foco principal é os dois irmãos, Omar e Yaqub. Conjugando as histórias de uma maneira impressionante, Hatoum conduz a narrativa contando a história da família desde o casamento dos pais, Halim e Zana, até… bem, aí você lê para descobrir.

O que realmente impressiona na obra são as relações familiares construídas em uma Manaus dos anos 1930 a 1960, mais ou menos. A rejeição, o incesto, o ódio e vários outros elementos jogam na cara do leitor a hipocrisia e a falsidade que podem permear um ambiente familiar. Porque é isso que o autor faz: de maneira bastante sutil, joga na cara do leitor os sentimentos nus e crus presentes ali. É de ficar com aperto no peito.

Excelente para ler num domingo a noite e perceber que existem dramas piores que a melancolia pré-segunda-feira.

Links Relacionados:

O Estado de S. Paulo – “Dois irmãos”, de Milton Hatoum, ganha o palco

Milton Hatoum – Oficial

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