Está dada a largada…

As eleições presidenciais marcam o segundo semestre de 2010, aqui no Brasil. Passada a euforia da Copa do Mundo, o foco do noticiário (do sério, não do Goleiro Bruno) volta novamente ao país, e as eleições já são temas de páginas especiais dos principais jornais. O triângulo Dilma-Marina-Serra já está formado, e a campanha, que começou oficialmente no último dia 06, será crucial no sentido de definir o rumo eleitoral do país.

Já escolheu o seu?

A grande novidade este ano é a utilização liberada da Internet por candidatos e partidos políticos. Com certeza, um amplo espectro de opções de análise se abre para os eleitores com esse fato.

De qualquer forma, não é bem disso que eu quero tratar hoje. A campanha que eu quero fazer não é para nenhum candidato: é em relação à imprensa.

Nos últimos posts se discutiu muito por aqui o poder da mídia, o controle que ela exerce ou não, a capacidade de divulgação de inverdades em seus meios. O fato é que em época de eleição presidencial a mídia tradicional assume um papel político na disputa – como qualquer empresa particular, interesses, afinidades políticas e acordos sustentados pelos seus proprietários são levados em conta na produção do sua mercadoria, no caso, notícias, reportagens, textos e imagens. E pro inferno o compromisso jornalístico – tá, talvez ele ainda se mantenha nas redações, mas absolutamente há preferências por candidato A ou B na mídia tradicional, e isso se reflete no noticiário.

É notado que os últimos 8 anos transformaram o Brasil, e não por acaso. O presidente Lula – talvez os leitores não concordem – foi o melhor presidente da história do país, e não sou eu que digo isso, são os fatos, os números, os dados, o Obama. E também é notado que nos últimos 8 anos a mídia tradicional – aqui, incluo os três maiores jornais do país, a maior rede de televisão, e a revista nacional de maior circulação – desrespeitou, e creio que essa seja uma palavra correta, o presidente e seus partidários.

Coberturas tendenciosas, afirmações falsas, articulistas desconhecidos que proferiram aos quatro ventos mentiras sobre a pessoa do presidente, assassinatos de reputações gratuitos. Essa é a rotina da cobertura política nos últimos anos. Talvez, a maior frustração do seleto grupo que comanda essa mídia tradicionalista seja o índice de aprovação de Lula.

Bem, falei que não faria campanha. O que eu quero reforçar, e que fica como uma dica para quem se interessar por esse assunto, é o seguinte: leia, ao mesmo tempo em que se informa por meio da mídia tradicional, a crítica dessa mídia. No final do post vou listar alguns sites de crítica muito legais.

Geralmente, ela é feita por jornalistas profissionais, que muitas vezes trabalham ou trabalharam na grande mídia, e que analisam matérias, coberturas e reportagens com olhos mais experientes, críticos, e principalmente independentes. Essa independência é muito importante, e a Internet desempenha papel fundamental nesse sentido. A relevância dessa leitura é adquirir outros pontos de vista que não sejam controlados, influenciados ou “editados” pelas grandes corporações, e consequentemente filtrar mentiras e exageros, para os dois lados.

Links relacionados:

A radicalização do discurso político, do Blog do Nassif.

O diploma, a liberdade e o “controle social da imprensa”, por Ricardo Kotscho.

A velha mídia finge que o país não mudou, no Observatório.

Conheça sites de crítica da mídia:

Observatório da Imprensa

Conversa Afiada – Paulo Henrique Amorim

Blog do Luis Nassif

Brasília, Eu Vi – Leandro Fortes

Viomundo – Luiz Carlos Azenha

Esses são os mais famosos. Navegando, facilmente você encontra outros links que podem ser úteis.

Posts relacionados:

Comunicação: Ciência ou Teoria da Conspiração?

Na toca do Coelho.

Conversando sobre Comunicação, Política e algo mais

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6 comentários sobre “Está dada a largada…

  1. Sobota, vc foi feito pra discutir política com a Gabi…haha…

    Bom, vc falou de compromisso jornalístico e criticou a mídia por ser tendenciosa. Acho utópico o jornalismo que não toma lado, pois todas as escolhas são guiadas por preferências, mesmo que inconscientes. Portanto, o que nos resta mesmo é compreender o discurso e saber criticar a mídia, seja quem for.
    Mas temos o problema humano de não sermos totalmente racionais, mas (muito) emocionais. Apoiamos Lula e, se ele der um deslize, o perdoamos. Odiamos Lula e, se ele fizer alguma coisa certa, não damos o valor devido. Não porque pensamos racionalmente, mas pela nossa relação emocional. E é aí que os políticos fazem a festa.

    e, fala sério, vc tb fez uma certa campanha política velada aí, né? haha…

    bom, dá-lhe Marina… e ótimo post…

    1. ahuhauhauhahuahua
      nasceu mesmo, dan!
      mesmo pq a gente não discute, a gente troca argumentos. UAUHHUAUHAUHAUH é vida.

      Pelo que eu entendi, e pelo que eu conheço do gui, ele não entende o jornalismo como uma fonte pura. A gente sabe que não é assim. Eu e ele até estávamos discutindo isso ontem. A única maneira de vc ter uma notícia pura, é vc viver ela. A partir do momento que qq pessoa, ou meio, te conta ela, já vai vir carregada de alguma interpretação. E isso não é demérito algum. Eu, pelo menos, não vejo como um demérito. Mas, justamente pq é impossível vir sem essa interpretação pronta, é que nós temos que buscar meios diferentes de ver a mesma notícia. Nós só nós, estudantes de comunicação, mas
      todo mundo. Todo mundo.

      ah, o Lula é Dilma. Logo, eu sou Dilma. Para o Brasil continuar mudando. ahuhuahuahuahuauhhaua

      (slogan muito bem colocado, digamos)

      1. concordo Gabi… ah, e não vejo com demérito, só acho que precisa ser mais transparente nesse aspecto. Pq os jornais e revistas se dizem independentes, mas não são.
        Bom, aí que entra a conscientização de que precisamos aprender a ouvir os dois lados da questão… e aí que fica difícil, pq a gente é muito cabeça dura…haha…

        E vcs viram o jingle do Collor? comédia…

    2. Dan, vc tá coberto de razão. Jornalismo imparcial e objetivo fica nas leituras da faculdade, e só. Eu não quis dizer – perdão se foi isso que pareceu – que o jornalismo tem que ser puramente imparcial e bla bla bla.

      O problema em questão é que a mídia tradicional tem um posicionamento definido, mas faz de tudo para parecer o contrário.

      Um exemplo muito bom é a revista semanal CartaCapital (do jornalista Mino Carta, ícone do jornalismo político desde sempre no Brasil, fundador de Veja – na época que esta ainda era uma revista de fato). Algumas semanas atrás estampou na capa e no editorial: “Por que apoiamos Dilma”. Dê motivos, e quem acatá-los vai seguir o seu veículo com esse pensamento. Ótimo.

      Outra coisa é a questão dos “dois pesos, duas medidas” da mídia tradicional. Lula faz coisa certa, é ignorado. Lula diz uma frase com a sintaxe imperfeita, é escrachado. Serra destroi o Estado mais rico do país, é a solução. Serra faz algo certo… peraí, o Serra nunca faz nada certo.

      Bom, é isso. Sou fã de discussões/debates desse tipo hehe.

  2. Boa, Boa. Independente do posicionamento político de cada um, é importantíssimo ler, ver e ouvir a mesma notícia por meios diferentes. Estudante de comunicação ou não, esse é um exercício de cidadania fundamental, principalmente no período eleitoral. =)

    ;*

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