Porque amamos Glee

Este post contém spoilers.

Glee chegou ao fim. Mas só da 1ª temporada. Quando começou, em 19 de maio de 2009, Glee era uma série com personagens estranhos, pouco simpáticos e muito bregas. Além de uma trilha sonora inteiramente a capela e planos de câmera que incomodavam porque não paravam de mexer.

Bem, pouca coisa mudou desde a season premiere, mas nós aprendemos a amar os não-populares alunos do McKinley High e integrantes do coral chamado New Directions.

A verdade é que a série me ganhou de cara no primeiro episódio quando o grupo, com apenas 6 alunos, cantou uma versão moderna e apaixonante de Don’t Stop Believing, uma música que já está na cultura folclórica dos Estados Unidos.

Outra verdade é que a paixão é a principal característica de Glee. A season finale falou disso, da paixão que os alunos têm pela música, pelo coral, por seus amigos e pelo professor Will Schuester. Mas estou falando da paixão do elenco, da equipe técnica e dos fãs. Ryan Murphy, Brad Falchuk e Ian Brennan conseguiram reunir um grupo de atores que mostraram realmente ter uma amizade que vai além das câmeras. – Mark Salling, que interpreta Puck, fez até uma música e um vídeo para homenagear a família Glee.

Ao longo dessa primeira temporada, foram muitas risadas e também alguns momentos de emoção. A relação entre os personagens, apesar de ser tratada com um viés cômico, tem também uma certa profundidade, principalmente quando cuidou de assuntos polêmicos e importantes para jovens adolescentes: gravidez, homossexualidade, deficiência física e preconceito.

Com uma boa historinha e personagens bem construídos de pano de fundo, a série se ocupou daquilo que a fez ter tanto sucesso, a música. Confesso que nem sempre a escolha das músicas me agradava, mas aí a história compensou. No primeiro episódio, nos surpreendemos com a performance de “Rehab”, feita pelo concorrente do New Directions, o Vocal Adrenaline. E termina com um toque de esperança com “Don’t Stop Believing”.

No segundo episódio, Showmance, a gargalhada ficou por conta de “Push It”, quando Rachel tem a ideia de conquistar novos integrantes (e consequente popularidade ao grupo) com uma performance que faz apologia ao sexo. Além de Push It, outros números ficaram marcados pelo humor: “Bust Your Windows” (episódio 3 “Acafellas”), os mesh-up It’s “My Life/Confessions Part II” e “Halo/Walking on Sunshine” (episódio 6, Vitamin D), “Hair/Crazy in Love” (episódio 11, Hairography), “Gives You Hell” (episódio 14, Hell-O), “Physical” e “Run Joey Run” (episódio 17, Bad Reputation). Vale destaque também a cena em que jogadores de futebol Americano dançam “Single Ladies” no meio do jogo (episódio 4, Preggers).

Antes de falarmos do grande ápice no episódio Sectionals, último antes do hiatus, vale lembrar também de “Somebody to Love”, “No Air”, “Keep Holding On”, “Sweet Caroline”, “Endless Love”, “I’ll Stand By You”, “Lean on Me” e “True Colors”. E claro, as memoráveis “Defying Gravity”, “Imagine” e “Smile”.

Sectionals. Considero este episódio o ápice da primeira temporada de Glee. As performances são inesquecíveis e sensacionais. Amber Riley (aka Mercedes Jones) tira o nosso fôlego com “And I Am Telling You I’m Not Going”; Lea Michele e sua superioridade praticamente divina ganham toda a simpatia do público com a versão impressionante de “Don’t Rain On My Parade”; depois, não tem como não gostarmos de “You Can’t Always Get What You Want” e “My Like Would Suck Without You” em performances significativamente emocionantes para os personagens.

Na verdade, era para a primeira temporada ter terminado aí, com apenas 13 episódios. Mas o sucesso foi tanto (incluindo visitas à Casa Branca) que a FOX encomendou uma temporada inteira, de 22 episódios.

E então Glee voltou às terças-feiras com o episódio Hell-O e com as participações especiais de Jonathan Groff (companheiro de elenco de Lea Michele no musical Spring Awakening, da Broadway) e Idina Menzel (também da Broadway), que entrou para a série a pedido de fãs, devido à sua semelhança com Lea Michele, para interpretar a mãe biológica de Rachel. Neste episódio, destacam-se “Hello”, de Lionel Richie e “Hello, Goodbye”, a única música dos Beatles na série.

The Power of Madonna. Aqui, um novo êxtase. Um episódio especial com músicas da Madonna. Este episódio tem tudo e o melhor de Glee: performances e música, drama e comédia. A melhor homenagem à Madonna é certamente com “Borderline/Open Your Heart”, em que Rachel e Finn cantam pelos corredores da escola enquanto as cheerleaders aparecem ao fundo customizadas com as diferentes personagens já encarnadas pela cantora pop. “Like a Prayer” faz uma grande apoteose.

O episódio seguinte, Home, foi, na minha opinião, o mais fraco de toda a temporada. De todas as músicas escolhidas, somente “Beautiful” conquistou a minha simpatia. Mas a série retomou o ritmo de humor com “Physical” (e a participação especial de Olivia Newton-John), “Run Joey Run” e “Total Eclipse of the Heart” no episódio Bad Reputation.

Em seguida, tivemos “Jessie’s Girl”, “Rose’s Turn”, “One”, “Dream On”, “Bad Romance” e a sensacional versão de “Poker Face”. Depois, Funk e a esperada season finale.

Journey to Regionals foi um episódio lindo. Particularmente, acho que as músicas não tiveram a mesma superioridade de Sectionals, porque considero inesquecível a versão de “Don’t Rain on My Parade”. Mas a história do episódio foi linda. Num clima de fim e de despedida, os alunos do McKinley High se emocionam com o fim do coral. Eles se lembram de tudo o que passaram juntos no ano que se foi, todas as amizades e todos os momentos de desentendimentos; eles se lembram de como eram suas vidas antes de se juntarem ao coral. E o momento mais bonito de todos: a homenagem que fazem ao mestre William Schuester.

Numa cena que me lembrou Sociedade dos Poetas Mortos (“Oh Captain, my Captain!”), os alunos agradecem a seu professor por todos os bons momentos, por toda a jornada com uma bela performance de “To Sir, With Love”, que, aliás, é nome de um filme britânico de 1967 (Ao Mestre Com Carinho).

A jornada é, afinal, a principal mensagem do episódio, musicalizada na apresentação do grupo na competição, um mesh-up de músicas da banda Journey, a mesma que gravou pela primeira vez o grande sucesso “Don’t Stop Believing”.

Foi também sensacional a cena do nascimento do bebê de Quinn. As imagens intercaladas do parto e da apresentação do Vocal Adrenaline, com “Bohemian Rhapsody” criaram uma grande cena, um grande momento na série. Inesquecível e muito bem executado. Foi bem emocionante, pra falar a verdade. Bem como o destino da bebezinha, adotada por Shelby Corcoran, mãe biológica de Rachel.

Se pudéssemos tirar alguma moral de Glee é que todas as pessoas podem ter uma segunda chance, é só não parar de acreditar.

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12 comentários sobre “Porque amamos Glee

  1. (2)
    Pra mim a cena de “Bohemian Rhapsody” foi simplesmente brilhante. Melhor cena de toda a série! Assista com Home_theater!

  2. Luuuu!
    Eu olhie no youtube e aquela versão de poker face é a versão acustica da lady gaga mesmo. É bem bom ela cantando!
    Olha aqui:

    óóóótimo post, Lu!
    eu ia te perguntar hj o q vc tinha achado do ultimo episódio!
    Eu super fiquei sensibilizada com a Sue.
    HAHHAHAHAHA
    eu tinha CTZA que ela tinha votado no New Directions! CTZA.
    HUAHUAHUHUAHAHUA

  3. ah, eu conhecia uma outra versão acústica dela de poker face! mas ficou bem melhor com a rachel né?? a melodia tá a mesma, mas achei o piano diferente.. o de glee tá bem mais legal! uahuahauhahua

    sensibilizei com a Sue tb, mas eu achava que eles iam ganhar o Regionals! ://// até porquê, apesar da performance muito foda de Bohemian Rhapsody, foi quase um solo do Jesse! Faltou o coral cantar mais! uahuahaua

    maaaaas foi um episódio muito lindo, né??? a parte da Quinn foi muuuito bonitaaa!!! 😀

  4. Quando Glee começou a ser divulgado eu pensei: “ótimo, Malhação musical misturado com High School Musical”.

    Arrisquei e assisiti ao primeiro episódio. Confesso que me conquistou, desde a construção dos personagens bem diversificadas (com vários clichês), os temas de cada episódio e as músicas.

    O que a Lu disse sobre a escolha de algumas músicas não tê-la agradado posso até entender, a maioria (não contei, heim!) são dos anos 80. Quem viveu nessa época como eu se deliciou com as versões e performances feitas no seriado e algumas até me comoveram. Cada música trazia uma pontada de nostalgia, como Hair (Hair/Crazy in love), Imagine, Hello e claro, Don’t Stop Believin’.

    Meus episódios favoritos são Wheels (adorei a coreografia das cadeiras!), Sectionals, The Power of Madonna e Journey.
    Aliás chorei copiosamente no epi Journey (season filane), do início ao fim. Foi extremamente emocionante o que fizeram mesclando o nascimento do bebê da Quinn com a apresentação do Vocal Adrenaline.

    Ontem eu pentelhei a Lu no Twitter para comentar sobre a música “To Sir, With Love” e agora vou dizer porquê.
    Essa música é do filme “Ao Mestre com Carinho” (recomendo que todos assistam, Sidney Poitier é o Mestre) que conta a história de um professor que enfrenta uma turma mista de alunos desajustados e daqueles que não se encaixam com o resto da escola (já viram isso antes? rs…). Durante o ano letivo o professor foi conquistando aos poucos os alunos e vice-versa, até chegar num ponto em que os personagens se transformam, aprendem novos valores e consequentemente uma nova forma de encarar a vida real. No final fazem uma homenagem e uma aluna canta essa música para o Mestre.

    O que aconteceu entre os alunos do Glee Club e o professor Schuester foi a mesma coisa, por isso quando começaram os primeiros acordes da música eu desaguei, não tenho vergonha de admitir. Chorei de soluçar. Foi lindo demais e se encaixou perfeitamente no contexto de Glee. Reflete o que cada um disse antes de começarem a cantar.

    A magia de não querer saber com antecedência o que vai acontecer nos próximos episódios é isso, você é pego de surpresa e te enche de emoção.

    Para mim este último episódio fechou a 1ª temporada com chave de ouro cravejada de diamantes, mal posso esperar pela próxima!
    No site http://www.fox.com/glee/chevy/?bctid=89379053001 pode-se ver cenas de bastidores e entrevistas (é rapidinho) desse e de outros episódios.

    Vou parar por aqui senão o comentário fica maior que o post.

    bjoks!

    PS1: Vocês reparam no Brad, o pianista? Sempre a postos para tocar e com um simpático sorriso.
    Adoro ele – Go TeamBrad! hahaha

    PS2: A música Bohemian Rapsody não teve alterações, foi executada como no original e eu agradeço por isso. Seria uma heresia modificar uma música que está imortalizada. Adoro Queen e amo Freddie Mercury de paixão, vibro com dada música deles em Glee.

    PS3: Que cabelinho é aquele do Artie? Ficou bonitinho mas engaçado.

    1. Reeeeeee! Foi lindo demais eles cantando”To Sir, With Love” pro Will! Eu não conhecia o filme nem a música, maaas aquela cena me levou de volta pra escola! Citei “Sociedade dos Poetas Mortos” pq me veio à mente na hora a cena em que os alunos sobem em suas cadeiras e quando o professor entra eles dizem “Oh captain, my captain!”. A minha turma fez isso uma vez com um professor nosso, do ensino médio. 😀
      Foi lindo, eu tenho muitas recordações desse tipo da escola… o 3º ano foi um clima de despedidas total, entre os alunos, mas tb entre alunos e professores! hahahahaaha aquele finalzinho de Glee me fez lembrar de tudo o que passei com minha turma e meus professores na escola! hehehehe 😀

      eu o Brad muuuuuuuito engraçado! Ri demais quando a Rachel chama a mãe dela pra cantar Poker Face com ela… ela grita o nome do Brad e fala “ele tá sempre por perto” UHAUHAUAHAUHAHUA

      Bohemian Rhapsody foi mesmo sensacional, mas a montagem superou tuddoo!! hahahaha lindo!

      muito obrigada pelo seu comentário!!! 🙂

  5. Acho que nós temos a mesma opinião de Glee, eu amei as mesmas musicas e achei Home bem fraco, foi um tédio ver esse episódio.
    E essa season finale foi emocionante mesmo, acho que além de tudo eles tbm aprenderam a se aceitar do jeito que são, sem preconceitos ou rótulos. Finalmente eles perceberam que são amigos apesar de todas as diferenças.
    O que falar da Sue? Ela é meu anti-herói preferido no momento, simplesmente Sue Sylvester! E o Mr.Schue cantando Somewhere Over The Rainbow fechou com chave de ouro, essa musica é linda, eu adoro. *-*

  6. Ain, só vi hoje o final! Achei emocionante. E acabou, nada mais nada menos com Over The Rainbow, uma música especial pra mim desde a infância! Já pensei até em tatuar as notas musicais dela! heheh foi uma surpresa pra mim!!! Amei… quase chorei…

    1. hehehehe foi lindo mesmo! eu quase chorei em vááários momentos desse episódio!! já tô com saudades de Glee! Que ruim esperar!

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