Mudança

Nunca tinha pensado que mudaria de cidade algum dia na minha vida. Mas, aconteceu. Bem cedo, para falar a verdade. Eu tinha 14 anos. Meu pai foi transferido, não tive muita escolha. Eu era bem novo, é verdade, mas já tinha uma paixão antiga ardendo no meu coração. Se era difícil abandonar a cidade, nem consigo dizer o quanto era difícil deixar para trás o meu amor.

Os primeiros dias na nova cidade foram normais, de acordo com os planos. Solitários. Eu não tinha amigos na escola, nem tinha planos de fazer algum. Claro, eu queria que a mudança de volta fosse fácil. Não tinha nada ali que me fizesse aceitar de bom grado aquela reviravolta na minha vida.

Eu não ligava muito para como ia ser a escola. Ah, vai ter uma lousa, uma carteira para você sentar e um professor falando. Pronto. Nem como eu iria para a escola. Que besteira era aquela? Pego um ônibus, pô. Se ia fazer frio demais, ou calor demais. Quem liga para essas coisas? O que doeu mais foi ligar a TV toda quarta e domingo e ver dois times estranhos jogando. Foi ouvir uma voz estranha narrando. Foi procurar o jogo do meu Curintiá em todas as rádios e acabar acompanhando pela internet.

Isso foi doído. Eu não podia mais ver nem ouvir o meu amor. Noticiário esportivo? Com sorte passavam os melhores momentos. Não ouvia fogos a cada gol, nem ao final de cada partida. Não ouvia o nosso hino tocando na rua, nem as pessoas buzinando em comemoração. Ninguém vestido com a nossa camisa. Como alguém se acostuma a um lugar desses?

Assim foi indo por alguns meses. Tava difícil agüentar aquilo. Pensei em fazer o que qualquer um de coração partido faria. Esquecer. Vou mudar de time, resolvi. É só procurar uma torcida “simpatiquinha” por aqui e começar ir aos jogos. Sim, porque estádio é estádio. Para se apaixonar de verdade não tem remédio melhor.

 Mas não deu para mim. Cada torcida fraca que não dava nem gosto. Começavam a ir embora quando a coisa ficava feia. Dá para acreditar num negócio desses? Torcida fraca a gente até perdoa. Time pequeno, tem pouca gente na cidade, e tal. Mas abandonar o time? De jeito nenhum.

Eu já estava decidido a largar o futebol. Cortar o mal pela raiz mesmo. Mas aí o Coringão marcou um jogo na minha cidade. Coisa rara. Eu me prometi uma despedida, então. E fui. Já era hora de parar com aquele sofrimento todo e encarar a mudança que nem homem.

Era um time mesclado, sem grandes estrelas, é verdade. Mas a entrada daquela camisa em campo é uma coisa que não se consegue explicar. O grito daquela torcida que atravessou o país para estar ali, e não demonstrava sinais de cansaço, era de arrepiar todos os pelo do corpo. O meu grito era de arrepiar o meu corpo.

A partir daquele momento, daquele cumprimento especial do time, é que a minha mudança valeu a pena. Eu nunca veria aquilo, daquele jeito e com aquela emoção, se não tivesse mudado de cidade. Se eu não estivesse com aquela saudade. Se nós não estivéssemos em uma minoria esmagadora que abafasse qualquer som daquele estádio. O jogo me fez ver que não tinha mudado nada. O que mais me importava estava comigo.

Eu vivo meus dias até chegar o próximo jogo, na euforia de que será sempre o melhor jogo da minha vida. Não tenho essa esperança. Tenho a certeza. Agora eu sou da torcida visitante, eu solto os fogos e toco o nosso hino para quem quiser ouvir. Sim, tem corinthiano no Brasil inteiro, graças a Deus. E seja qual for o Corinthians, eu grito toda quarta e domingo. Eu nunca vou te abandonar, porque eu te amo.

Fiel Torcedor.

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Todo mundo é.

Publicado por Gabi Mateos.

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19 comentários sobre “Mudança

    1. “Todo mundo é”? [2]

      Na boa, não ligo para futebol, nem jogos da Copa eu assisto, mas não podia deixar passar essa (perco o amigo mas não perco a piada).

      Tem uma lenda que diz: “todo mundo nasce corintiano, mas alguns evoluem e se tornam palmeirenses”.

      Agora falando sério.
      Numa viajem que fiz de carro pelo Nordeste, por pior que seja o local, por mais pobre que seja, por mais longe que seja de onde o Judas perdeu as botas, duas coisas eu sempre via: igreja evangélica e o símbolo do Corinthians pintado na parede de alguma casa.

      bjokas

      PS: lindo texto.

      1. uhauahuahauahuahauahuahauahau
        ri demais! uahuahauhauahuahauhauauahauhauhauhauhauauahauahauauhauhuahuhauhauhauahuahauhauahauhaua

      2. ahahahahahahahahahahahahaha
        isso é emocionante. ahhahaahaha
        eu vi no pânico um dia aquele mendigo falar alguma coisa assim: “corinthiano e formiga tem de monte no mundo inteiro” ahuhuahauhu.

        Obrigada, Renata! =)

      3. Hahahahahahahaha
        palmeiras #fail

        Mas gente.. é fato. Corinthians toma conta do mundo haha.

    1. ahaha eu tbm… passei a ir aos jogos aqui. E toda santa vez q a gente vai, eu fico só pensando no próximo, e coisas como “#porracoxa, #porraparana pq vcs fizeram isso com a gente” , “bem q podia ter tod quarta e domingo” e por aí vai… ah, eu nunca vou abandonar mesmo, pq eu amo. huauhahuauhauhauhuhahua

  1. Eu acho que o unico defeito deste blog é que tem mto corinthiano. HUHUAHUHHUA
    Mas tirando esse detalhe, eu gostei do texto. ^^’

    1. Kaka hahahahaha não é exatamente que tenha MTOS corintianos, é que SÓ TEM corintianos hahahahaha.

      :]

      (eu tento me conter hahaha mas vez e outra eu tenho que postar sobre esportes.. e bom, haha aí não consigo fugir do Corinthians)

  2. eu não sou fanática e nem gosto de futebol (p/ não dizer pior)… hahahahaha
    mas esse texto é mesmo mto bom, Gabi! 🙂
    parabéns pelo post!!

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