Mamãe, eu quero

Em pleno Carnaval, era uma vez cinco brasileiros lejos de sua terra natal.
Estavam em San José, terra que desconhece o calor do axé e o samba no pé.

Com coceica e a agonia,
foram buscar a folia da bateria, este mundo brasileiro de magia.

Caíram em Puntarenas, esperavam mulatas, loiras, morenas,
uma festa com calles llenas.

Sem seu samba de verdade, caíram em realidade.
Ê Brasil, que saudade!

Sim, os brasucas perdidos na Costa Rica tentaram encontrar um carnaval na terra de Laura Chichilla (ah, sim, as eleições aconteceram faz uns dias, esta é nossa nova presidenta). Não encontramos a Sapucaí, mas encontramos uma boa história pra contar.

Cinco loucos escutaram que o melhor carnaval do país dos vulcões acontecia em Puntarenas. Não precisaram dizer duas vezes, sexta-feira à noite desembarcaram na cidade.

“Reservem onde ficar com antecedência, a cidade vai estar cheia”

Eram 22h quando chegamos, hora mais que suficiente para a música tremer os vidros e a galera tremer o chão. Ao colocar a cabeça para fora de nosso ônibus, olhamos para um lado, olhamos para o outro lado e… cadê este povo? A cidade estava em puro marasmo.

A lenda do carnaval de Puntarenas

De qualquer maneira, precisávamos buscar lugar para deixar as coisas. Nossa dificuldade não foi encontrar um local para dormirmos, mas sim encontrar um local para dormirmos compatível com nosso bolso. Eles metem a faca e dão uma rodadinha nessa época! Nós, no costume de pagar algo como $8 em albergues, não estávamos preparados para pagar mais que o dobro por uma noite. Idéia resultado da cabeça de cinco estudantes pensantes: “Ah, viramos esta noite e amanhã cedo fazemos o check-in. Um dia é sussa…”. Beleza, deixamos nossas mochilas em um hotel amigo e saímos para a imensa festa.

Quando a gente estava aquecendo o pé (finalmente algumas pessoas apareceram) nas tendas abertas de salsa e reggaeton, a festa acaba. “Fu***”, pensamos. Era recém meia-noite, quem ia guentar virar a noite sem festa? Começamos a andar pelas ruas, cantando nosso samba e fazendo nosso próprio carnaval. Muitos ticos acabavam vindo ver o que é que a baiana tem e também entravam na roda. Foi aí que, de repente, não mais que de repente, nossos ouvidos bem treinados registraram uma leve batucada ao fundo… o radar reconheceu na hora e só deu cinco loucos correndo atrás deste som, Aquarela do Brasil, costurando os que restavam nas calçadas. Ô abre alas!

Sim, era uma bateria, e uma bateria foda, muito foda (ou era eu que estava muito bêbado de reggaeton?) em plena terra tica! Chegamos lá, agitamos o bagulho, galera começou a sambar com a gente (não sei quem mais fazia de conta que sabia sambar, eu ou eles), tocou uma música brasileira atrás da outra, galera começou a rodar e desperdiçar cerveja, galera começou a comprar cerveja para rodar e desperdiçar, um arrasta mesa, outro empilha cadeira e… os ticos brigam. Resultado: bateria parou, pessoal dispersou e festa acabou. Que bueno, gracias mae!

Depois da leve pancadaria, voltamos  para as ruas e lembramos de uma coisa: antes, uma nativa havia comentado de uma festa proibida, ilegal, só para sócios, fechada, submersa, algo cabuloso. Então, lá fomos nós tentar entrar neste batidão e, surpresa, conseguimos! Quando falamos “somos do Brasil”, a porta escancarou.

A festa acabando, nós cansados, era hora de voltar… mas para onde? Para a sacada do nosso hotel amigo, por supuesto! Lá, estarrados no piso gelado, com o aval do guardinha, cochilamos nossa primeira noite. Acordamos, finalmente pagamos o quarto para cinco e… dormimos mais (ou finalmente, nao sei).  Depois, revigorados, voltamos para as calles.

Passando pela frente da tenda que acabou com a festa meia-noite, outra surpresa: “Un saludo a nuestros amigos brasileños”, disse o dj/locutor do lugar. Abrimos um sorriso e mandamos um alô. Já éramos celebridades na cidade. Pessoas desconhecidas vinham em nossa roda, cumprimentavam-nos, gritavam Brascil, faziam embaixadinhas com bolas invisíveis, passavam a pelota para gente, falavam de Kaká e Ronaldinho, xingavam Maradona, nos ofereciam bebida, sacavam uma foto e iam embora. Chegamos a cansar de fazer tudo isso (e não é fácil cansar de falar mal de Maradona).

Domingo, na hora de nos despedirmos de nossos amigos do hotel, alguém nos diz: “Não, mas este fim de semana não foi carnaval, foi o Tope (desfile de cavalos que realmente aconteceu). Carnaval é só semana que vem”. Muchas gracias, amigo, muy amable! É, definitivamente não olhamos a cabeleira do Zezé, mas valeu a tentativa.

Ps: vale a pena e a galinha ler a mesma história escrita por Marcelinho, outro doido presente, aqui.

Publicado por Tiago Pizzolo

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Cheguei!
Hasta luego, Brasil!
Não goste de estabilidade

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10 comentários sobre “Mamãe, eu quero

    1. huehuauhahua, ta zoando, o Rey escutou meu post? que honra! manda um abraçao pra ele. e se tu riu lendo, imagina o quanto a gente nao riu lá, zoando. hueuahuahauh. lugar é feio, mas a galera fez valer a pena.

    1. huehuahuahua, certeza!
      e intercambio sem perrengue nao é intercambio tbm.
      comentei com o pessoal de casa quando cheguei, “nao vim pra ca pra ter muito luxo nao” huehuahuahua. mal tenho em curitiba, vou querer aqui? haha.

  1. EHH LELÊ, A CABELEIRA DO ZEZÉ FICOU SEM APARECER, MAS OS MUCHACOS BRASILEÑOS ESTAVAM LÁ, ISSO QUE IMPORTA! MASSA MESMO TIAGO, CURTI PRA CARALHO O TEU POST, VOU LER O DO MARCELINHO AGORA! ABRAÇOS!

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